Marcos Palmeira

Aos 47 anos, busca papel marcante no cinema, curte a entressafra das novelas e do seriado mandrake e aproveita para se dedicar à agricultura orgânica

Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Apesar de protagonizar novelas, filmes e estar no ar como o detetive da série Mandrake da HBO, você cada vez mais é conhecido como ativista ecológico. Como equilibra a vida artística com a de agricultor de orgânicos?

É difícil, mas consigo. Acabei a novela no início do ano, e estou esperando que a nova temporada de Mandrake comece a ser rodada. Estou com tempo para me dedicar à agricultura.

Você só dá palestras, participa de ações ou põe a mão na terra?

Pego no pesado. Acompanho desde o plantio até a colheita e venda. Ajudo a carregar o caminhão... Hoje estou com dor nas costas e acho que é por conta de um caminhão que ajudei a carregar ontem na fazenda.

Como começou o trabalho como agricultor de orgânicos?

Herdei uma terra no sul da Bahia, mas percebi que ali não conseguiria manter minha filosofia. Então, há mais de 10 anos, comprei a Fazenda das Palmeiras, próxima ao Rio. E percebi que os próprios agricultores de lá não comiam o que plantavam. Tinham consciência dos perigos dos agrotóxicos. Eu não. Aprendi tudo do zero. E hoje quero ensinar. É preciso que as pessoas entendam que orgânicos não são alternativos. São produtos bons, saudáveis e que podem ser competitivos. Isso é realidade em muitos países.

Aqui, você pediu um suco de laranja e não deixou de bebê-lo porque não era orgânico.

Procuro sempre consumir produtos naturais, mas não sou extremista. Só como arroz integral, frango caipira. Quando estou em algum restaurante, abro exceções, mas morango, uva e tomate, em geral, só orgânicos.

Você acaba de se separar (da produtora cultural Amora Mautner, com quem teve a Júlia, de 3 anos), e de terminar uma novela. Esta é uma fase de preparar o terreno para novos projetos?

É momento de reflexão. Estou curtindo minha filha também. Foi bom ter sido pai depois dos 40, quando já tinha mais maturidade para apreciar a beleza de poder levar Júlia à escola, para ensiná-la a se alimentar bem...

O que falta agora?

Fazer mais cinema. Fiz vários filmes, mas me falta um personagem marcante. Quero encontrar este papel. Adoraria ter sido chamado para Xingu (que Cao Hamburger roda atualmente).

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