Marco Túlio expõe a forma dos contrastes

Chapas de madeira com camadas de materiais que formam relevos como terra, tecidos, lata, cimento e pigmentos naturais e outros objetos, produzidos pelo artista plástico mineiro Marco Túlio Resende, estarão reunidos, até o dia 15 de setembro, na Marília Razuk Galeria de Arte. As obras, assim como a exposição, não têm nomes específicos, mas, basicamente, partem de um mesmo tema: o corpo e a condensação da matéria.Marco Túlio Resende também é professor de Artes Plásticas na Escola Guignard, em Belo Horizonte, e utiliza os mais variados tipos de material e técnica.A madeira surgiu em seus trabalhos há cerca de 15 anos, quando fazia mestrado nos EUA. Entretanto, o tema da condensação apareceu em uma pesquisa iniciada há três anos. "Duas palavras-chave explicam o meu trabalho: o diário e aquilo que está à minha volta. É um trabalho feito do acaso e da dualidade - negação e afirmação, masculino e feminino, peso e leveza, condensação e dissipação, e, sobretudo, a vida e a morte, nascer e morrer. Quando uma coisa está contida na outra, agrupa-se e desagrupa-se."Outra preocupação de Marco Túlio é a relação tátil, sensorial, que as obras de arte podem oferecer ao espectador. "Acho bacana isso de colocar a mão ou quando dá vontade de cheirar um trabalho." Por isso, ele utiliza vários materiais que formam relevos, ou faz um conjunto com rodelas de madeira e furos centrais para que as pessoas tenham vontade de "colocar o dedo". Esse conjunto não tem nome, mas o artista diz que podem ser chamados de umbigos.Quase todas as obras feitas de chapas de madeira têm fendas ou cortes em forma de riscos. Segundo Marco Túlio são como cicatrizes, "marcas como a escrita". Também há a idéia de série, que pode ser linear ou disposta como "redemoinhos nas paredes, como uma ladainha. Gostaria que não tivessem fim e que pudessem se estender até Santos, por exemplo", diz o artista.Além desses trabalhos com madeira, a exposição conta com um conjunto de objetos que são estruturas de pequeno tamanho em madeira e ferro e que aprisionam materiais diversos, como pedra, tiras de carpete, parafina e massas com pigmentos azuis. São 12 peças que ficam dispostas no chão. Marco Túlio chama-as de ilhas e conta que a idéia é mostrar a tensão do agrupamento.Somente um dos trabalhos da mostra foi produzido em 1983, uma peça de madeira com recortes de lata pregados. Os outros são todos recentes, "acabaram de sair do forno", e têm uma linha mais simplificada. Sobre a continuação desse trabalho, Marco Túlio diz que vai tratar da condensação e dissipação por meio da alquimia e da produção de outros objetos. "Agora será sobre a união dos corpos", diz.

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