Márcia Haydée e Ismael Ivo mostram novo balé

O encontro dos bailarinos Márcia Haydée e Ismael Ivo nos palcos brasileiros vai acontecer a partir de 18 de outubro, no Teatro Municipal carioca. Eles não vão dançar aqui, apesar de terem pronto TristanIsolda, dueto inspirado na ópera de Richard Wagner que estreou no ano passado e faz sucesso até hoje (a última apresentação foi no primeiro fim de semana de setembro, na Feira de Hannover, na Alemanha). Para o Brasil, os dois prepararam um novo balé, Aura, a ser dançado por bailarinos do corpo de baile do Municipal. "A idéia é do Ismael, e eu vou só ajudar em alguns detalhes", diz Márcia, que chegou no Rio às vésperas do feriado de 7 de setembro.Apesar de ter criado alguns balés nos últimos anos - o mais recente, Visões Musicais, foi apresentado há dois anos no Rio -, Márcia insiste em dizer que não é coreógrafa. "Não é minha paixão", ressalta. No entanto, ao dançar com Ismael Ivo, uma parceria que demorou a acontecer, apesar de os dois terem feito carreira na Alemanha, ela foi criando os passos sob a orientação dele. Aqui, vai aproveitar sua experiência de 40 anos de dança, 20 dos quais à frente do Balé de Stuttgart, na Alemanha, para selecionar o elenco com que Ivo vai trabalhar, sobre música de Miles Davis. "É uma homenagem a esse músico e ao coreógrafo Alvin Ailey, que foi o mestre de Ivo."Já na segunda-feira seguinte ao feriado comemorativo da Independência, os dois bailarinos e o diretor Márcio Aurélio, que está com eles também em TristanIsolda, foram assistir à aula do corpo de baile do Municipal para escolher os bailarinos com que trabalharão. Márcia guarda boas lembranças desse elenco, que atuou em Visões Musicais, mas até o encontro preferiu não opinar sobre o conjunto. "Eles foram fantásticos há dois anos, mas não sei como a companhia evoluiu nesse período", explicou. "Mas devem continuar ótimos, pois os bailarinos brasileiros são de um nível excelente; é um talento que nós temos."Márcia ressaltou que, quando cria um balé, a técnica do bailarino que vai dançá-lo não é primordial. A personalidade, o talento, a vontade de experimentar e, sobretudo, a capacidade de entender o que o coreógrafo quer são muito mais importantes. "Pouco me importa se ele é capaz de fazer uma ou dez piruetas, e eu só escolho gente que tem essa capacidade de se entregar a quem cria a coreografia", afirma ela. "Foi assim durante toda a minha carreira, e é por isso que estou dançando há 40 anos, pois meus coreógrafos sempre criaram especialmente para mim, pensando muito mais na dramaticidade do que na técnica."Apesar de ter feito sucesso inicialmente como bailarina clássica, Márcia experimentou quase tudo que se fez em balé nessas quatro décadas e que os grandes coreógrafos criaram para ela. Aos poucos, foi se desligando do repertório tradicional para se dedicar a estas experiências. "É por isso que danço até hoje, com 60 anos, pois fui instrumento de meus coreógrafos e eles extraíram de mim o que eu tinha de melhor", ensina Márcia. "Uma bailarina da minha idade que tenta ainda fazer as mesmas coisas de que era capaz aos 20 anos vai ficar ridícula e hoje só danço o que é adequado à minha capacidade."Foi a ênfase na dramaticidade que aproximou Márcia e Ismael Ivo. Ela lembra que sempre foi chamada de Maria Callas da dança, numa alusão à cantora lírica greco-americana, que privilegiava a teatralidade cênica e interpretativa sem se preocupar muito com a técnica . "Ele é o grande bailarino desse estilo e por isso se radicou na Alemanha, a pátria do danztheater, que poderia ser traduzido como ´dança teatral´ ou ´teatro dançado´", lembra.Até a estréia, Márcia e Ivo ficam no Brasil, mas logo depois, os dois já têm compromisso na Europa, para dançar novamente TristanIsolda. Essa vida errante agrada à bailarina. "Gosto de viver assim porque não me canso de viajar e meu marido (o professor de ioga Gûnter Scoberl) vai sempre comigo."

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