Marcia Castro decola

Cantora baiana sela seu estilo peculiar com as boas ideias do segundo álbum

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h10

No mar de cantoras brasileiras que deságuam em alvoroço, o desafio maior é não ser apenas mais uma delas. Marcia Castro tem um jeito peculiar, com liberdade criativa e perspicácia, de fazer a diferença. Baiana radicada em São Paulo, ela lança o segundo álbum, De Pés no Chão, com suporte da Natura Musical e distribuição da Deck, em que firma sua personalidade em cada detalhe.

Como no álbum de estreia - Pecadinho, de 2007 -, além de incluir uma pérola inédita de Kléber Albuquerque (Logradouro), Marcia dá preferência pelo repertório brasileiro lado B e provocativo da década de 1970. "Odeio cair na obviedade das coisas", diz. E até em Preta Pretinha (clássico do álbum Acabou Chorare, dos Novos Baianos), "que é a música mais óbvia do repertório", ela insere algo pessoal marcante. "Quando uma canção é tão conhecida, vem carregada de tantos signos, tanta memória, tanto afeto, que não faz sentido se a gente não fizer algo diferente, pessoal, em que se possa reconhecer nela. Tudo que eu gravo tem uma relação com o tempo de agora."

Com participações de músicos de estilos distintos, como Kiko Dinucci, Letieres Leite e Luiz Brasil, a sonoridade do disco (produzido por ela, o guitarrista Rovilson Pascoal e o baterista Guilherme Kastrup) é muito coesa. "A gente testou muito esse repertório no palco, e desde minha chegada a São Paulo, trabalhando com Rovilson, a gente montou a banda, e teve uma sintonia absurda", conta a cantora. Além dos dois citados, a banda é formada por Magno Vito (baixo), Ricardo Prado (teclado/acordeom) e Sidmar Vieira (trompete).

O show com parte desse repertório do CD estreou em Montreux em 2010, e além da Suíça foi para a França e para a Turquia. Naturalmente a ideia central de todo o álbum partiu dela, mas o resultado reflete o entrosamento total com a banda, como se fosse uma criação coletiva. "São só cinco músicos que tocam vários instrumentos. Apesar das diferenças, tudo ganha uma unidade muito forte", diz Marcia. "Não foi um álbum com escolha temática preestabelecida, conceitual, mas decupado com coerência, com um discurso que passa pela diversidade de temas que dialogam entre si, com liberdade e humor."

Há canções como a que dá título ao CD, De Pés no Chão (Rita Lee) e Você Gosta (Tom Zé), que ela brinca com ambiguidades sexuais. "Adoro tratar com ironia temas que poderiam parecer agressivos", diz. Paralelamente a De Pés no Chão, Marcia vem gravando outro álbum, com produção de Gui Amabis, que deve ser lançado em 2012. Entre as pérolas raras, há Três da Madrugada, de Torquato Neto e Carlos Pinto.

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