Marcelo Silveira em dose dupla em SP

O escultor Marcelo Silveira está de volta. E desta vez em dose dupla. Os trabalhos do artista pernambucano poderão ser vistos na galeria Nara Roesler a partir de hoje, quando abre uma exposição individual O Forjador de Formas, sob curadoria de Agnaldo Farias, e na semana que vem na Pinacoteca do Estado, na exposição Escultura Brasileira na Luz, junto com outros 33 artistas.A primeira reúne 11 esculturas e um conjunto composto por 50 peças produzidas ao longo de seis anos, quando ele descobriu um ?cemitério de cajacatinga?, madeira já extinta na região pernambucana, usada em seus trabalhos ao lado do metal e do couro. ?Todos estes materiais são familiares para mim, dentro das minhas influências rurais?, diz o escultor, nascido em Gravatá. Mas só a partir desta edição é que o artista está usando o couro.Ao explicar a novidade, Silveira diz estar procurando dar um cheiro a exposição. ?O gozado é que o cheiro do couro sempre me incomodou?, afirmou ao explicar que o material, agora muito solicitado em seus ateliês, é na verdade um pedaço de sua história. ?Quanto mais velhos, mais próximo vamos ficando de nossas raízes e o couro sempre esteve muito próximo da minha vida. E se um ser humano não consegue voltar às suas origens, ele está frito?.Tato - Mas além do olfato e da visão, a exposição na galeria traz outra peculiaridade. Silveira permite ao público o toque. Mas com o devido bom senso. ?Acho uma coisa engraçada esse negócio de não poder tocar porque as pessoas ao verem esculturas, ficam com os sentidos ativados e o toque dá a possibilidade de interpretar a obra de outra forma?, afirmou.Sempre em busca do movimento e do equilíbrio, Silveira trabalha arduamente na preparação da madeira encontrada parcialmente carbonizada em um engenho de sua família, em Pernambuco. ?Ao ver a quantidade de troncos queimados, resolvi experimentar e ao lixar e retirar várias camadas percebi que o centro da madeira não foi afetado e então comecei a levá-las?. Dedicado a este árduo trabalho, ele incorporou em seu itinerário mais um ateliê. Ele agora também é encontrado em uma ?oficina? bem próxima deste cemitério de madeiras. ?Consigo utilizar da raiz ao caule?, explica.Na exposição da Pinacoteca, Silveira vai expor uma peça feita de metal maciço. ?Não gosto de coisa oca. Meu trabalho é muito verdadeiro?, adiantou ele, que expõe nas principais capitais brasileiras e em Portugal desde 1984. Esta obra, no entanto, só poderá ser apreciada semana que vem, quando a Pinacoteca abre uma maratona cultural, incluindo várias outras mostras.Marcelo Silveira - Galeria Nara Roesler - Avenida Europa, 655. Telefone 3063-2344. De 11 de agosto a 2 de setembro. De segunda a sexta, das 10 horas às 19 horas e sábado das 11h às 15 horas. Hoje, às 21 horas, ocorre a vernissage.

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