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Marcelo Serrado: 'A gente não quer levantar bandeiras'

Com um personagem 'solar', ator vê o público se render aos encantos de Crô em 'Fina Estampa'

Thaís Pinheiro, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h11

Quando no show de um ídolo teen como Justin Bieber você vira alvo dos olhares do público, é sinal de que seu personagem está indo muito bem, obrigado. Crô é assim, desses que agradam dos mais experientes aos mais novos. E mesmo antes de dar vida ao "escravo" de Tereza Cristina, em Fina Estampa, Marcelo Serrado já gostava da ideia de interpretar um gay. De volta à Globo com contrato de três anos e em meio às gravações, o ator conversou com o Estado.

Você retornou à Globo por causa deste personagem?

A Globo já estava me sondando há um tempo, e aí teve um convite concreto. Eu também queria voltar para uma coisa que fosse do Aguinaldo Silva. Ele me viu na Record, fazendo vilão, e sempre quis um ator heterossexual para fazer este personagem. Surgiu o convite do Aguinaldo e deu tudo certo, porque meu contrato na Record acabou na hora.

Quando Aguinaldo lhe falou sobre o personagem, você já tinha ideia de como ele seria?

Não, zero. Primeiro que achei incrível ele me chamar para fazer um tipo completamente diferente do que eu já tinha feito. Fiquei lisonjeado pelo convite e sabia que ia ser um desafio bacana, por ser comédia também. Quando me falaram que era um personagem gay, já topei na hora.

Tinha ideia de que o personagem ganharia essa proporção?

Olha, tinha uma vaga ideia de que o personagem poderia ser grande, ele já estava entre os personagens principais. Mas acho que nem o Aguinaldo nem eu imaginávamos que fosse ser o que está sendo hoje. Trabalhei bastante, tive um coach comigo por um mês, fiz várias pesquisas, trabalhei com outra preparadora. Um filme que me ajudou muito foi o Santiago, do João Moreira Salles. O Milk, do Sean Penn, também... Outra referência boa pra mim é um amigo meu que tem esse cabelo pra cima igual ao do personagem. Ele põe o laquê de manhã e sai assim... Peguei coisas reais, gestual, fui para boates e vi o lado delicado das pessoas.

O Crô tem agradado a todos os públicos, não?

Impressionante! Levei minha filha ao show do Justin Bieber, e eu falava para as crianças: "gente, o palco está lá, olhem para lá". Elas não paravam de olhar para mim. Às vezes estou andando no shopping e as pessoas começam a rir, olhando de longe.

Pelo fato de o seu personagem ser gay, já passou por algum constrangimento na rua?

Não, nunca. As pessoas têm um respeito e um riso em relação ao Crô muito grandes. É um personagem que expira uma coisa solar...

Não faz muito parte da pauta do Crô ficar levantando bandeira dos relacionamentos dele. Você acha que a discussão em torno do beijo gay é necessária?

Não, acho que isso não é importante. A gente não quer levantar uma bandeira, a gente quer divertir, é um personagem solar mesmo... (é interrompido para arrumar o cabelo). Olha só, estou falando com você e fazendo o cabelo. Tem toda uma preparação aqui, faço a unha, tem o figurino, a fala, preciso estar com tudo isso em cima para ele acontecer. É um personagem que é verdadeiro, tem sentimento, emoção.

Toda essa subserviência do Crô em relação a Tereza Cristina esconde algum interesse?

Não sei se tem algo por trás ou não. Isso faz parte do dever dele, que é servir. Ele tem prazer em fazer um arranjo de flores, ele acorda as crianças, põe o café da manhã, manda nos empregados. Mas ele também é muito grato por ela pagar a faculdade da sobrinha.

Ter um personagem como este no currículo o faz ser mais respeitado por outros públicos?

Acho que dá uma dimensão maior, né? O Aguinaldo me viu fazendo um vilão e me chamou para ser um gay, acho que foi um gol dele. É um prazer poder fazer outros tipos. Não descarto fazer outros galãs, gosto de bons personagens.

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