Marcelo Fromer foi um dos fundadores dos Titãs

- No início dos anos 80, o rock nacional era incipiente. Ainda que houvesse uma produção nos 70, foi a geração de Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Ira!, quem tirou o BRock do gueto e o levou ao grande público. Os Titãs, octeto formado em São Paulo com o nome de Titãs do Iê-Iê-Iê, figuraram entre os principais nomes desse grupo heterogêneo, que surgiu ao mesmo tempo em Brasília e São Paulo. Marcelo Fromer esteve no grupo desde o início, como guitarrista e compositor. Fez parte de uma geração que escreveu seu nome na história da música brasileira. Primeiro pelo sucesso. Depois em função das tragédias: as mortes de Cazuza e Renato Russo, ambos vítimas da aids, e o acidente de Herbert Vianna - os três maiores ídolos da geração. Os Titãs, em início de carreira, fizeram parte da turma que se reunia no Teatro Lira Paulistana, berço de, entre outros, Língua de Trapo, Premeditando o Breque e Itamar Assumpção. Estrearam em 1982, no Sesc Pompéia e depois de marcar presença no circuito alternativo da capital, chegaram ao disco em 1984, pela WEA, com Titãs. A formação original, nestes 20 anos de existência, sofreu algumas alterações. Duas preponderantes. A troca de bateristas com o Ira!, em 1985 - Charles Gavin foi para o Titãs e André Jung para a banda de Edgard Scandura -, além da saída de Arnaldo Antunes, em 1992, que decidiu investir em sua carreira-solo.Fromer, de 39 anos, além de membro-fundador do conjunto, foi também co-autor de alguns dos principais sucessos dos Titãs, principalmente os do início da carreira: Sonífera Ilha, Televisão, Autonomia, Homem Primata, Nome aos Bois e 32 Dentes. As bandas da época, em sua maioria, tinham apenas um guitarrista na formação. Os Titãs tinham dois, Fromer e Toni Bellotto. Fato que lhes permitiu explorar outras texturas musicais. Titanomaquia, álbum produzido por Jack Endino, no qual a banda se aproximou da estética introduzida pelas bandas de Seatle, Estados Unidos, é uma boa mostra do trabalho da dupla.Depois de um período estável, nos anos 90, e do sucesso relativo do disco Domingo, os Titãs voltaram aos primeiros postos das paradas de sucesso com o álbum Acústico MTV, que traz versões desplugadas para sucessos como Flores, Go Back e O Pulso. Na seqüência, depois de sentirem novamente o gosto do sucesso, lançaram Volume 2, continuação desnecessária do que apresentaram no trabalho anterior. A superexposição da banda atingiu seu ápice com As Dez Mais, disco de versões dispares - interpretaram de Mamonas Assassinas a Raul Seixas. Tocaram em todos os programas de auditório, venderam milhares de discos, e resolveram parar por um tempo.Charles Gavin ficou a desenvolver seu trabalho de remasterização de antigos LPs de música brasileira, Nando Reis, Paulo Miklos e Sérgio Brito lançaram discos-solo, Toni Bellotto lançou dois novos livros, um policial e um introduzindo o universo dos guitarristas às crianças. Fromer também chegou a atuar como produtor, lançando álbum do cantor Chivas Miguel, mas preferiu dar vazão à outras paixões: futebol e gastronomia. Além de colaborar com jornais e sites de esportes e investir numa biografia do ex-craque corintiano Casagrande, lançou em 1999 pela DEA o livro Você Tem Fome de Quê. No ano seguinte, passou a assinar uma coluna de gastronomia homônima no Estadão, cujo primeiro aniversário foi comemorado há 10 dias: "hoje é meu aniversário neste jornal e quero apagar as velas e reacender a chama deste fogo eterno que é escrever sobre gastronomia." Na última sexta-feira, retomaria o espaço (leia sua última crônica) para reafirmar outra de suas paixões, seus quatro filhos: "(eles são) meu melhor alimento; só assim me sinto vivo".

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