Marcello, contra a própria imagem

Marcello Mastroianni fez quase 50 filmes entre 1939, ano de sua estreia, e 1959. Trabalhou com diretores como Vittorio De Sica, Riccardo Freda, Luciano Emmer, Carlo Lizzani, Luchino Visconti e Mario Monicelli. Esse currículo, que já incluía papéis marcantes, sofreu uma reviravolta em 1960, quando ele iniciou a parceria com Federico Fellini, de quem virou alter ego em A Doce Vida. Como o jornalista Marcello, que se consome no vazio existencial da revolução dos costumes por volta de 1960, Mastroianni virou a representação do sedutor latino.

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h08

Mas ele nunca se sentiu confortável no papel e tratou logo de viver dois personagens que iam contra essa imagem - o marido impotente de O Belo Antônio, de Mauro Bolognini, e o infeliz Fefè de Divórcio à Italiana, de Pietro Germi, que agora sai em DVD pela Versátil. O rótulo de 'infeliz' ajusta-se porque Fefè, que age por desejo, sacrificando uma mulher fiel a outra cuja sensualidade o atiça, está embarcando numa viagem sem volta - o desfecho propõe uma reviravolta da qual só o espectador se apercebe.

As pausas, as caras, os suspiros - Mastroianni é sublime em Divórcio à Italiana. Disposto a não se enquadrar numa persona, ele ainda seria o gay de Um Dia Especial e o sedutor decadente de Casanova e a Revolução, ambos de Ettore Scola. / L.C.M.

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