Maratona marcou a escolha de indicados ao Prêmio Multicultural Estadão

Vindos de diferentes áreas de atuação e regiões do País, os integrantes da comissão que elegeu os 14 indicados para o Prêmio Multicultural Estadão 2001 passaram por uma verdadeira maratona de discussões para chegar aos nomes que serão apresentados ao colégio eleitoral de mais de 5 mil votantes - colégio que decide os ganhadores a cada ano.Foram realizados dois dias intensivos de debates, em 13 de novembro e 4 de dezembro, quando mais de cem nomes representantes da cultura nacional foram levantados e discutidos. Nessas ocasiões, nove intelectuais renomados (que mudam a cada ano) levantaram dezenas de nomes dos quais foram extraídos os candidatos desta 5.ª edição. Apesar da complexidade da decisão, a escolha foi consensual.No fim de uma exaustiva triagem, os integrantes da comissão estavam de acordo sobre os nomes e a coerência dos critérios que apoiaram a eleição, como a premissa segundo a qual a lista dos concorrentes de cada ano deve contemplar duas "pontas" da produção cultural brasileira: as raízes - os fundamentos e tradições que dão base à criação contemporânea - e as antenas - atuações ligadas com o universo artístico contemporâneo do planeta. A escolha foi acompanhada pelo editor do Caderno 2, Evaldo Mocarzel, integrante da curadoria do Multicultural Estadão e pela crítica de dança Helena Katz, consultora técnica do prêmio, e conduzida por Yacoff Sarkovas, da Articultura.Professora titular do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, Izabela Brochado comentou a coerência do prêmio com seu título. "É muito interessante que um prêmio da área cultural estimule criadores não por sua área, mas sim pela atuação de seu trabalho no cenário artístico", opinou. O diretor teatral, cenógrafo e figurinista Marcio Meirelles, atual diretor do teatro Vila Velha, concorda com Izabela. "Essa lista contempla criadores e pensadores que representam faces diferentes da nossa cultura, que é essencialmente multifacetada." Meirelles , que foi diretor do Teatro Castro Alves, é criador do Bando de Teatro Olodum.O professor de História e de Jornalismo Aplicado Voltaire Schilling ressaltou não só a diversidade de áreas de atuação, mas também de público atingido pelo trabalho dos indicados. Autor de livros como As Grandes Correntes de Pensamento e O Conflito das Idéias, Schilling também é colaborador do jornal Zero Hora.Também participaram da escolha o crítico, ensaísta e jornalista Jacó Guinsburg, especialista em estudos da cultura judaica e de teatro, professor da ECA-USP, fundador e diretor da Editora Perspectiva e autor de Stanislavski e o Teatro de Arte, Aventuras de uma Língua Errante, O Que Aconteceu, Aconteceu, entre outros; o jornalista Daniel Piza, especializado em crítica de arte e literatura e autor dos livros As Senhoritas de Nova York - Descoberta de Pablo Picasso e Questão de Gosto - Ensaios e Resenhas; a coordenadora de Cultura e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Helena Severo, que foi diretora do Museu da República e secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro; João Paulo Cunha, jornalista cultural e crítico de literatura, formado em Filosofia, Psicologia e Comunicação Social; o crítico de cinema José Carlos Avellar, ex-presidente da Riofilme, ex-diretor cultural da Embrafilme e autor de A Ponte Clandestina, O Chão da Palavra, entre outros; o crítico e curador de arte Nelson Brissac Peixoto, doutor em filosofia pela Universidade de Paris, criador e curador do projeto Arte/Cidade e autor das publicações Cenários em Ruínas, América e Paisagens Urbanas.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2001 | 17h27

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