Mapa da mina para entender o Egito

Mapa da mina para entender o Egito

Itaú Cultural apresenta exposição feita a partir de relatos da viagem de Napoleão Bonaparte ao país em 1798

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

A rara coleção Description de L"Egypte (Descrição do Egito), editada entre 1809 e 1822 em 22 volumes que apresentam escritos, gravuras, mapas e relatos sobre o país de civilização antiga, é o fio condutor da mostra em cartaz no Itaú Cultural. A série foi realizada a partir da expedição científica e militar que o então general francês Napoleão Bonaparte promoveu no Egito em 1798, mas a exposição vai além da exibição dos exemplares da coleção - reúne ainda esculturas, objetos e placas de bronze pertencentes ao acervo do Museu do Louvre, de Paris, oferecendo ao público brasileiro a oportunidade de ver obras históricas, algumas, datadas de 2 mil anos a.C.

Como conta o arqueólogo Vagner Carvalheiro Porto, curador da mostra O Egito Sob o Olhar de Napoleão, Bonaparte levou consigo em sua viagem 167 artistas, médicos, botânicos, cientistas com o intuito de que se fizesse um detalhado estudo do local. "Ele foi inspirado pelos generais da antiguidade, como Alexandre, o Grande, e fundou o Instituto do Egito", diz Porto. A comitiva foi chefiada pelo barão Dominique Vivant Denon, que em 1802 publicou seu próprio trabalho a partir daquela experiência. "Foi o sucesso de sua obra que motivou a realização de Description de L"Egypte", afirma o curador. "A coleção é enriquecedora, foi o ponto de partida da egiptomania", afirma o arqueólogo, curador, ainda, do museu de Numismática do Itaú Cultural.

A instituição paulistana tem em seu acervo os 22 volumes de capa vermelha que compõem Description de L"Egypte, dos quais 13 estão abertos na exposição - os outros podem ser manuseados virtualmente. Ao mesmo tempo, as 14 placas de bronze do Louvre fazem parte de conjunto maior, em que todas as imagens gráficas do livro foram transpostas para o suporte. Completando a mostra, feita com consultoria do arqueólogo Antonio Brancaglion Junior, os objetos arqueológicos pertencem ao Museu Nacional da Universidade Federal do Rio e à coleção do banqueiro Olavo Setúbal.

Percurso. O Egito Sob o Olhar de Napoleão, como os volumes da série, está divida por temas e tem trajeto cronológico. Os relatos sobre o Egito Antigo apresentam descrições de múmias, das famosas pirâmides e detalhes da Esfinge para se chegar, depois, à Idade Moderna, ou seja, ao período em que a expedição de Bonaparte. "As mesquitas dos mamelucos, plantas das cidades, costumes, trabalhos e até os tipos de chapéus dos habitantes são descritos", destaca Porto.

Curiosas também são as obras sobre história natural com gravuras que representam serpentes e palmeiras, por exemplo. A seção sobre arquitetura ainda merece olhar especial - as obras coloridas esmiúçam ou oferecem visadas panorâmicas de grandes templos e os traçados em preto e branco evocam jogos de luzes como se fossem quase perfeitas fotografias.

O EGITO SOB O OLHAR DE NAPOLEÃO

Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, telefone 2168-1776. 9 h/20 h (sáb. e dom., 11 h/20 h; fecha 2ª). Grátis. Até 19/12.

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