Manuscritos do Mar Morto vêm ao Brasil

Atestados de fé e preciosidade arqueológica, os manuscritos do Mar Morto estão a caminho do Brasil pela primeira vez. Em agosto, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, e em outubro, no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em São Paulo, estarão sendo exibidos oito manuscritos originais e algumas réplicas dos documentos pertencentes ao Instituto de Antiguidades de Israel. A exposição Pergaminhos do Mar Morto: Um Legado para a Humanidade, organizada pela Calina Projetos Culturais, ainda enfrenta um pequeno obstáculo para tornar-se realidade: dinheiro. Orçada em R$ 3,2 milhões, com incentivos fiscais ao patrocinador, a mostra não é das mais baratas. Só o seguro do deslocamento das peças representa 10% do valor da exposição. Será a primeira vez que os pergaminhos do Mar Morto originais serão apresentados na América Latina. Os diversos documentos do tipo, além de mostra permanente no Museu do Livro, em Israel, já correram mundo, da Biblioteca do Congresso, em Washington, ao Museu do Vaticano, além de em cidades como Montreal, Glasgow, Tóquio, Melbourne e Sydney (durante os Jogos Olímpicos). Segundo Luiz Calina, da Calina Produções, além dos manuscritos, a mostra terá objetos do mesmo período, como vasos, potes e utensílios em pedra e cerâmica, moedas, objetos em couro (como sandálias), tecidos. O projeto de Calina prevê também um módulo didático para localizar o visitante, mostrando filmes, mapas, painéis e elementos interativos, além de salas de estudo para adultos e escolas e um programa educacional que incluirá seminários, palestras e debates com estudiosos do Brasil e exterior. Também serão apresentadas Bíblias do Velho Testamento novas e antigas. Os pergaminhos do Mar Morto foram descobertos por beduínos nas cavernas de Qumran, próximo ao Mar Morto, em Israel, em 1947. Eles foram escritos entre o século 2.º a.C. e o ano 70 d.C., sendo considerados contemporâneos de Jesus Cristo e documentos-chave da história do cristianismo e do judaísmo. Entre as escrituras, anunciam os organizadores, destacam-se os mais antigos documentos bíblicos do Velho Testamento já encontrados e vários textos sobre a vida comunitária dos essênios, uma seita que se isolou nas proximidades do Mar Morto e cujas práticas teriam sido absorvidas pelo emergente cristianismo. A Calina Projetos Culturais e Sociais, que atua na produção de eventos e na captação de recursos, pretende que 50% a 100% da receita de bilheteria da mostra sejam destinados a instituições beneficentes, a serem escolhidas pelo patrocinador. Os resultados de bilheteria da exposição têm sido excepcionais ao redor do mundo. Em Grand Rapids (EUA), região de 1,1 milhão de habitantes, a mostra teve 235 mil visitantes entre fevereiro e junho de 2003. Os organizadores da mostra no Brasil só têm garantidos R$ 700 mil até agora. Luiz Calina, que aceita propostas de patrocícnio, pode ser encontrado no email luiz@calina.com.br.

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