Manuscritos de José de Alencar são digitalizados

Entre o material, que será colocado hoje na internet, há textos inéditos

LAURIBERTO BRAGA, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h05

Mais de seis mil páginas manuscritas pelo romancista José de Alencar ficarão a partir de primeiro de maio à disposição de pesquisadores, professores, estudantes e curiosos. A Casa de José de Alencar, mantida pela Universidade Federal do Ceará (UFC), vai disponibilizar toda obra manuscrita pelo escritor cearense por meio digital. O material, produzido pelo escritor, entre 1845 e 1877 estão digitalizados e poderão ser consultados através da pagina eletrônica da universidade (ufc.br) ou nos computadores da Biblioteca da Casa de José de Alencar.

A Universidade Federal do Ceará quer assim, segundo o diretor da Casa de José de Alencar, João Arruda, oferecer em formato digital para estudos, pesquisas e apreciações, a obra integral do escritor. Com isso instituição, localizada no bairro Messejana, em Fortaleza, onde o escritor nasceu, se torna o principal centro de referência em estudos alencarianos. "Isso solidifica nossa missão de preservar e divulgar a vida do nosso principal romancista", festeja o professor João Arruda, que ainda administra pertences pessoais de José de Alencar, na preservação da casa onde o escritor nasceu em primeiro de maio de 1829.

E o início da oferta pela internet da obra manuscrita de José de Alencar acontece hoje, exatamente na data de nascimento de José de Alencar. "É uma data simbólica para colocarmos à disposição de todos essas obras raras de José de Alencar, o que, graças ao processo de digitalização, vai possibilitar que muitos tenham acesso a elas, sem necessidade de manuseio em peças preservadas, mas muito delicadas devido a mais de 170 anos de idade", revela João Arruda.

São mais de seis mil páginas manuscritas por José de Alencar que foram organizadas em cadernos por tipo de documento. "Nesses manuscritos estão artigos sobre literatura, ficção, poesia, teatro, política e direito. Há ainda um projeto sobre gramática, correspondências de terceiros e documentações oficiais", explica João Arruda.

Raridades. Iniciado no final de 2011, o projeto Digitalização dos Manuscritos de José de Alencar teve patrocínio da Petrobrás e apoio da Universidade Federal do Ceará, da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura e do Museu Histórico Nacional. A digitalização envolveu 29 documentos inéditos do acervo de obras do escritor com temas regionalistas, indianistas e históricos.

Entre os manuscritos, destacam-se 13 cadernos com fragmentos de textos já publicados. Exemplos são o livro autobiográfico Como e Por que Sou Romancista e o ensaio filosófico e antropológico Antiguidade da América. Também foram digitalizados trechos do primeiro romance de José de Alencar: Os Contrabandistas, que acabou não sendo concluído pelo escritor cearense.

O processo de digitalização foi feito com scanner de baixa luminosidade, material apropriado para captação de imagens de documentos frágeis e de grande dificuldade de manuseio, como são os textos encadernados do escritor. O material fica a partir de hoje disponível para consulta pública nos computadores da biblioteca da Casa de José de Alencar ou para pesquisa pelo site da universidade.

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