Manuela é pimenta das boas no vatapá

A baiana Manuela Rodrigues é outra expoente da nova geração que ganhou merecida exposição para o grande público na Conexão Vivo em Salvador. A cantora e compositora teve oportunidade de mostrar dois de seus projetos: o trabalho solo autoral e a parceria com Claudia Cunha e Sandra Simões no Três na Folia, que se propõe a reinterpretar marchinhas, sambas e frevos e clássicos de carnaval.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

No show solo, Manuela contou com a participação de Romulo Fróes, compositor paulistano, que ela gravou em seu segundo e revelador álbum: Uma Outra Qualquer Por Aí (Garimpo Música). Pimenta das boas no vatapá Manuela é daqueles acepipes baianos que merecem cair no paladar da massa, mas que a indústria da axé music acaba sufocando.

Com o projeto de circulação dentro do programa Conexão Vivo, ela vai levar seu show para São Paulo, Rio e Recife, além da capital baiana. "A ideia de não deixar o artista órfão é que é o grande barato do patrocínio, porque vai fortalecendo a carreira do artista", diz a cantora. "A cena de Salvador está muito aquecida e é bastante diversa, com novos cantores, bandas de rock e música instrumental forte, mas que de alguma maneira não consegue furar um cerco. E esses projetos vêm fortalecer essa cena, assinar embaixo."

Versátil e atuante em diversas frentes, Manuela estudou flauta, piano erudito e iniciação musical, é formada em canto lírico pela Universidade Federal da Bahia e estudou música também em New Orleans. Desde 2004 faz preparação vocal de atores para teatro. Gravou o primeiro CD, Rotas, em 2003, ao vencer o Prêmio Braskem de Cultura e Arte, em que mostrava suas primeiras composições.

"Quando gravei aquele disco, tinha acabado de sair da escola de música, era menos concentrada, tinha muito ranço da academia, minha voz era mais aguda. Depois fui fazer teatro, isso fez com que eu tivesse uma vivência artística mais intensificada. Perdi o pudor de jogar fora certas regras e técnicas que a academia tinha me dado", diz a cantora.

Como compositora ela diz que amadureceu o discurso "pela própria vivência".Naturalmente, Manuela também tem uma pegada forte no samba, mas, tendo o produtor e pianista Tadeu Mascarenhas, o baixista Son Melo e o baterista Lalo Batera no núcleo de seu trabalho, ela tanto gravou canções com metais, como usou samples, umas mais suingadas, outras mais tranquilas.

O senso de humor da cantora já fica evidente na escolha do título do CD, extraído da canção de mesmo nome de Fróes e Clima e se estende a outras ótimas faixas autorais, como o samba Barraqueira (que Marcia Castro lançou no CD de estreia, Pecadinho, de 2007) e Vende-se Poema, parceria dela com o poeta Álvaro Lemos. Os dois também dividem os vocais nessa que é um dos achados do álbum, assim como a versão, digamos, experimental de um hit do Olodum, Berimbau. "Tem gente que adora, tem gente que detesta. Não existe meio termo."

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