Manuel Esnoz abre mostra em São Paulo

A exposição que o jovem artista argentino Manuel Esnoz inaugura amanhã à tarde na Galeria ThomasCohn marca sua volta a São Paulo quase quatro anos depois de sua última aparição, no mesmo espaço, quando participou da coletivaPreview 98 e, um mês depois, protagonizou sua primeira individual em terras brasileiras.Na política, na sociedade e nas artes, muita coisa mudouneste curto espaço de tempo, no Brasil e no mundo, inclusive ostatus da pintura. Se em inícios de 1998 os pintores estavampedindo licença para entrar em salões monopolizados porfotografias, vídeos, objetos e instalações, hoje estão de voltaà berlinda. Estaríamos diante de mais uma "volta da pintura"?Ninguém sabe ainda, e Manuel Esnoz não se importa. Aliás, nuncase importou, ele que desde sempre foi um pintor.A mostra que se abre amanhã na Thomas Cohn é a 11ªindividual de Esnoz, que acaba de completar 27 anos. São dezpinturas a óleo, inéditas, nas quais o artista fica no limiarentre o abstrato e o figurativo e revela seu talento para lidarcom as cores - não é à toa que ele fabrica as próprias tintas,uma prática que vem do Renascimento, mas hoje está quase emdesuso.Manuel Esnoz pinta de maneira "matemática", dividindoa tela em linhas paralelas numeradas, na vertical e nahorizontal. Cria-se uma trama, uma "grade" geométrica, apartir da qual surgem as figuras, dependendo de onde oespectador se posiciona.Para ver, é preciso movimentar-se, espiar, procurar aimagem que se confunde com a "grade" de cores - o que acabapor colocar o espectador na posição de voyeur, condiçãovalorizada pelos temas eróticos e sensuais de algumas telas.É o caso de Nothing Left to Imagination, que Esnozcriou a partir de uma fotografia de revista pornográfica, masque se transformou em um ser antropomórfico, uma cena quaseabstrata. Tenme Fuerte deixa as coisas mais claras e mostra umcasal em êxtase, de olhos fechados, se abraçando.O estranhamento e a perplexidade que atravessam ospersonagens também são dados contemporâneos desses trabalhosrecentes do artista. As figuras humanas, quando surgem, parecemsofrer em silêncio, perplexas, solitárias, até que a tramaquadriculada sai do fundo da tela e as afoga, embaralhando eborrando nossa visão.É assim em La Donna senza Nobleza e Mìrame,ambas criadas a partir de retratos fotográficos realizados pelopróprio artista, recurso que dá margem a enquadramentosinusitados.O embate da tradição (pigmentos, pintura a óleo,pincelada...) com o contemporâneo acontece ainda na superfícieda tela, pois a trama geométrica remete aos pixels da imagemcomputadorizada e às fotografias digitalmente ampliadas.Artista precoce - Manuel Esnoz começou muito novo. Aos 7anos deu início a seus estudos de desenho e pintura em BuenosAires. Com 15, já era assistente de um artista profissional deBuenos Aires. Passado mais um ano, foi selecionado pela FundaçãoAntorchas (16 entre 250 inscritos) para estudar no ateliê deGuillermo Kuitca. Foi também em 1991 que ele integrou umacoletiva na Michel Leonard Gallery, em Nova York: Pintando emBuenos Aires. Dois anos depois, ganhou o prêmio deartista-revelação conferido pela Associação Argentina deCríticos de Arte.A primeira individual veio em 1994, no Centro de Arte eComunicação de Buenos Aires. Em 1997 protagonizou mostra em NovaYork, na Kravets/Wehby Gallery, que até hoje o representa nosEstados Unidos e onde novamente expôs no ano passado.Manuel Esnoz. De segunda a sexta, das 11 às 19horas; sábado, das 11 às 14 horas. Galeria Thomas Cohn. AvenidaEuropa, 641, em São Paulo, tel. (11) 3083-3355. Até 10/11.Abertura sábado, às 11 horas.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2001 | 16h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.