Mantel faz história no booker

Ela é a primeira mulher e primeira britânica a vencê-lo 2 vezes

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2012 | 03h13

A britânica Hilary Mantel já publicou 13 livros desde 1985, quando estreou na literatura com Every Day Is Mother's Day - sete deles editados no Brasil pelo grupo Record. Ganhou um prêmio aqui e outro ali, mas nada tão importante quanto o Man Booker Prize, o principal da literatura em língua inglesa, dado a ela pelo romance histórico The Wolf Hall em 2009. Com ele, a escritora se juntou aos prêmios Nobel Nadine Gordimer e J.M. Coetzee, e a outros autores, como Iwan Mc Ewan, na lista dos vencedores do prestigioso prêmio literário. Na terça-feira, ao vencer seu segundo Booker por Bring Up The Bodies, nas livrarias brasileiras em abril também pela Record, ela fez história.

Aos 60 anos, tornou-se a primeira britânica a ganhá-lo duas vezes - o australiano Peter Carey e o sul-africano Coetzee eram os únicos até então a conquistar duas estatuetas. Foi também a primeira mulher a conseguir tal feito. E a primeira pessoa a emplacar dois livros de uma mesma série entre os vencedores.

"Você espera 20 anos por um Booker e então dois vêm de uma vez só", comentou Mantel durante a premiação em Londres.

Para Peter Stothard, presidente do júri, ela é a maior autora de prosa escrevendo em inglês neste momento. "Ela reescreveu o livro ao optar por escrever uma ficção histórica", disse.

The Wolf Hall, Bring Up The Bodies e The Mirror And The Light, que ela está escrevendo agora, tratam da vida de Thomas Cromwell (1485-1540), primeiro-ministro do rei Henrique VIII.

Sobre misturar fatos e ficção, a autora disse, em entrevista ao Caderno 2 quando The Wolf Hall foi lançado no País: "A história oficial responde a perguntas básicas, revelando muito sobre as ações mas pouco sobre as motivações de seus personagens. Quero escrever histórias íntimas, mas no contexto da época. É importante reconhecer que essa não é uma história polarizada, dividida entre fato e ficção. Entre eles existe um território nebuloso de interpretações. Se um novelista é bem informado, ele tem tanto direito de entrar nele como tem o historiador".

Os dois primeiros volumes, que podem ser lidos de forma independente, estão sendo adaptados para uma série da BBC, que deve ir ao ar no fim de 2013. A ideia é que quando o derradeiro seja publicado, eles virem filme.

Finalistas. Bring Up The Bodies concorreu com Swimming Home, de Deborah Levy; The Lighthouse, de Alison Moore; Umbrella, de Will Self; Narcopolis, de Jeet Thayil; e The Garden of Evening Mists, de Tan Twan Eng. Na primeira fase, foram inscritos 145 livros.

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