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Manoel de Oliveira ganha mostra em sua homenagem

Exposição investiga a inspiração do cineasta português

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2013 | 02h33

Em 1987, aos 79 anos, o cineasta português Manoel de Oliveira foi questionado sobre o que o levava a filmar. "Se me perguntarem por que faço cinema, logo penso: não perguntam antes se respiro?", respondeu ele, em um poema-resposta.

Mais de 25 anos depois, o longevo diretor continua respondendo em cada um de seus filmes porque, para ele, filmar é tão imprescindível quanto respirar. Prestes a completar 105 anos (em 11 de dezembro), o realizador português ainda trabalha em seus roteiros e, apesar da crise econômica na Europa ter atrasado o financiamento de seu 55º filme, não desistiu de continuar respirando cinema.

São fragmentos desta carreira, que coincide em muito momentos com a história do próprio cinema, que serão contados a partir de hoje no Instituto Tomie Ohtake, que abriga até 10 de novembro a exposição Manoel de Oliveira: Uma História do Cinema. "É uma forma de descobrir este grande diretor. Ao visitá-la, não se vai descobrir exatamente toda a obra dele, mas sim entender muito do que forjou o diretor que ele se tornou. Esperamos despertar a vontade de voltar e de saber mais", diz Paula Fernandes, curadora da exposição, que chega a São Paulo como desdobramento da mostra que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, dedicou à obra do cineasta, em 2008, ano em que se celebrou o centenário de Oliveira.

Cinco anos depois, a exibição, que traz trechos de filmes, fotos, documentos e textos do diretor, ganhou atualização - afinal, Oliveira filmou mais cinco longas-metragens desde então - e revela ao público de São Paulo facetas pouco conhecidas de sua obra.

A exposição também integra a programação da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (de 18 a 31 de outubro) e é uma homenagem a seu fundador, falecido há dois anos, Leon Cakoff, extremamente próximo a Manoel de Oliveira, admirador profundo de sua obra e especial amigo do cineasta. "Alguns diretores têm uma relação muito forte com a Mostra, histórica até. E o Manoel é o maior deles. É uma relação que começou a ser construída desde as primeiras mostras, e isso virou uma amizade. O trabalho dele encontrou uma repercussão muito grande no Brasil. E não só aqui. Ele é mundialmente considerado um grande mestre. Além disso, há a relação pessoal. Ele era uma grande amigo do Leon", comenta Renata de Almeida, diretora da Mostra e viúva de Cakoff.

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