"Mano" leva o universo jovem ao palco

Mano é um garoto sensível, tipicamente paulistano, que enfrenta situações comuns aos adolescentes e problemas urbanos, como drogas e violência. Opersonagem saiu das páginas da coleção de livros Mano Descobre,coordenada por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, para ganharvida no palco pelas mãos do diretor Naum Alves de Souza. Mano,a Peça estréia neste sábado para o público no Teatro Populardo Sesi e propõe a ligação entre arte, educação e cultura.Hermano tem 13 anos, seus pais são separados - a mãe épsicóloga e o pai executivo. O irmão mais velho envolve-se comdrogas influenciado por Sombra, fato que preocupa Mano. Ainda nonúcleo familiar estão presentes as figuras do avô, um jornalistaaposentado, e de Shirley, a empregada doméstica, consideradapelo diretor como "a figura mais equilibrada da família". Mano, entediado em um sábado à noite, resolve navegar pela Internet,onde conhece alguém especial. Aventura-se para salvar o irmão e,por fim, conhece seu primeiro amor.Esse enredo nasceu da fusão, feita por Naum, dos livros:Mano Descobre o Amor, Mano Descobre a Liberdade, ManoDescobre a Diferença e Mano Descobre a Solidariedade,obras publicadas em parceria entre as editoras Ática e Senac."Também contei com o apoio dos atores para criar cenas eutilizar músicas e a linguagem da moçada de hoje", comenta."Foi um desafio transformar literatura em teatro.Procurei manter-me fiel às idéias do texto e às característicasdos personagens e, ao mesmo tempo, tive liberdade para criarnovas cenas para expor os conflitos, a questão das drogas, comseriedade", explica o diretor. Na casa é marcante a presença dediferenças étnicas e sociais, assim como situações não usuais,como o namoro entre pessoas da terceira idade.Mano é uma peça para ser vista por adolescentes eadultos, por conta da contemporaneidade dos temas. "É uma boaoportunidade para pais e filhos conversarem sobre os assuntosabordados", diz Dimenstein.Projeto - Com a peça vem o projeto Mano a Mano, queinstiga a platéia a mudar o contexto em que vive, a transformara cidade e falar sobre cidadania. Após o espetáculo, os jovenssão convidados a produzir ladrilhos que serão instalados emcalçadas e praças de São Paulo. Essa experiência de arte e açãocomunitária nasceu de uma parceria com o projeto Cidade EscolaAprendiz, que produz murais de azulejos na cidade.De acordo com Dimenstein, Mano faz parte de umagrande ação: primeiro, os livros da coleção que leva a reflexãosobre temas polêmicos e cidadania às salas de aula; segundo,transforma o texto em teatro, o que propicia uma nova leitura e,por fim, uma maneira concreta de modificar o espaço. "Há umainteração e os jovens sentem-se atores que possuem a cidade comopalco", afirma.Mano. Sábado e domingo, às 15 horas. Entrada franca. Osingressos devem ser retirados com 1 hora de antecedência. TeatroPopular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, tel. 3284-3639. Até30/6. Estréia nesta sexta-feira para o público.

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