Manifesto pede fundos para a cultura

Amanhã é dia de reunião do movimento Arte contra a Barbárie no Teatro Oficina, às 20 horas, em São Paulo. Um grupo de artistas, críticos e pessoas insatisfeitas com a situação de penúria da arte e preocupadas com os rumos que a cultura brasileira está tomando reúne-se desde outubro de 1998 para discutir e propor uma nova política cultural para o País."Nessa reunião, no Espaço da Cena, discutiremos a proposta de lei que consiste na criação de um fundo municipal permanente para a cultura", conta um dos organizadores do evento, Aimar Labaki. "A comissão que organizou a proposta debaterá qual a melhor maneira de encaminhá-la e também de lutar por isso junto à Câmara dos Vereadores."Para o dia 18 de novembro está marcado um debate com o candidato Geraldo Alckmin. "Convidamos as candidatas Marta Suplicy e Luiza Erundina, mas não conseguimos um horário na agenda delas", explica Labaki. "É importante que fique claro que não há vínculo com os partidos ou grupos políticos, o movimento abrange pessoas das mais variadas tendências artísticas e políticas."A proposta do grupo é entender o que aconteceu no passado para que a situação cultural brasileira chegasse ao ponto em que está, para compreender o momento atual. "Queremos saber o que se passou e estamos pensando uma política cultural a longo prazo", afirma Labaki.Amanhã, dois grupos discutirão o projeto de lei do fundo para as artes cênicas e novas propostas para as leis de incentivo. "Nunca a cultura esteve tão desamparada, à mercê das intempéries", diz Labaki. "Não temos com quem conversar, fora a concorrência que o governo faz pelas verbas vindas das Leis de Incentivo, também sofremos com a falta de patrocínio - no máximo o que temos recebido é apoio."Foram feitos três manifestos anteriores a este; num deles, que foi seguido de uma palestra do geógrafo Milton Santos foi apresentado um balanço do primeiro ano do movimento. O professor da USP falou sobre o processo de globalização e a barbárie que ele produz, atingindo, até mesmo, a cultura. Além dos manifestos, outras ações foram realizadas, como os processos que foram abertos para cobrar o destino das verbas públicas.Em junho, 700 pessoas se amontoaram nas arquibancadas e corredores do Oficina para o lançamento do terceiro manifesto, que contou com a presença de Iná Carmargo Costa, Aimar Labaki, Marco Antônio Rodrigues, Hugo Possolo, César Vieira, Mariana Lima, Walmor Chagas e Zé Celso Corrêa Martinez. Seiscentos artistas, produtores culturais e intelectuais assinaram o manifesto. Nessa ocasião foi criado o Espaço da Cena: encontros públicos quinzenais destinados à reflexão da produção artística.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.