Manguel diz que Vargas Llosa é um 'ser humano imundo'

Escritor canadense diz que prêmios são necessários porque escritores precisam viver

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2010 | 14h04

Para um filho de embaixador conhecido por sua amabilidade e educação, o escritor canadense Alberto Manguel, que lançou na VI Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco) seu livro Todos os Homens São Mentirosos, foi um adjetivo forte o que usou para definir o colega peruano ganhador do Nobel de Literatura deste ano, Mario Vargas Llosa: "imundo".

 

Manguel, que fez neste domingo uma conferência morna, na qual falou sobre o livro e as novas mídias eletrônicas, surpreendeu o público ao responder a uma pergunta da plateia sobre a importância dos prêmios na vida de um escritor. "Nada tenho contra os prêmios, pois representam dinheiro e um escritor tem de viver, afinal", respondeu, de forma direta, concluindo: "Que esse prêmio seja destinado a um ser humano imundo, não quer dizer que não seja um grande escritor".

 

Sobre seus autores preferidos, Manguel respondeu ao entrevistador, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que entre eles estão o holandês Cees Nooteboom, o português António Lobo Antunes e o argentino Ricardo Piglia, mas que sua lista pode mudar a cada vez que lhe fazem a mesma pergunta.

 

"Organizar uma lista ou uma biblioteca é, de alguma forma, excluir e, portanto, censurar", justificou, argumentando que uma biblioteca (e ele tem uma das maiores da Europa) é construída com "olhos de censor", excluindo gêneros ou autores.

 

"Isso implica uma redefinição de literatura, pois alguém que não gosta de literatura policial certamente elimina autores fundamentais", disse Manguel, que lia para o argentino Jorge Luis Borges, fã do gênero, quando o escritor ficou cego.

 

Manguel afirmou que as novas tecnologias não vão matar o livro. "Quando inventaram a fotografia, também diziam que a pintura iria acabar e ela está aí", disse, concluindo que não acredita na superação do livro impresso pelo e-book.

 

"Não tenho celular, pouco uso a internet, só ando de bicicleta e nem por isso sinto falta de gadgets eletrônicos".

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