Manguel diz que só sociedade rica tem Internet

O argentino naturalizado canadense Alberto Manguel, autor de Uma História da Leitura (Companhia das Letras), participa na terça-feira do debate Da Palavra à Escrita: Cumplicidades, Cidades, Eticidades e Subversões. O nome é esquisito, mas Manguel vai lembrar que "a Internet não é universal". "Somente as sociedades mais ricas a possuem; para milhões de seres humanos do planeta, a rede é tão inacessecível quanto a mais distante lua do Universo", escreve no texto que pretende ler na conferência.Na opinião de Manguel, os meios eletrônicos podem nos ajudar numa míriade de aspectos práticos da vida, mas não em todos. "Eles não serão os mantenedores do nosso passado cosmopolita, como é o livro, porque eles não são um livro e nunca serão um livro", argumenta. Manguel diz ainda estar convencido de que a leitura sobreviverá, "enquanto continuarmos a emprestar palavras para o mundo que nos cerca".A argumentação de Manguel começa com a discussão da "biblioteca" do personagem Robinson Crusoé, criado pelo escritor Daniel Defoe. Entre os livros que o náufrago salvou estavam alguns escritos em português. Manguel especula quais seriam eles, embora isso não esteja escrito na obra.O exemplo de Crusoé serve para discutir os usos do livro, um objeto de instrução, mas também de revelação. Há também a diferença entre o livro que representa poder e prestígio.Passando por Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, Silvina Ocampo e os jovens revolucionários dos anos 60, Manguel procura também encontrar sentido nas citações e na história. Manguel acredita, no final das contas, que o livro é como a alma: imortal e imperecível.

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