"Mangueira" volta à TV e ganha longa-metragem

O casal Joana e Marcelo, vivido há quatroanos por Júlia Lemmertz e Alexandre Borges na série Mangueira,Amor à Primeira Vista, volta à telinha em mais cinco episódios, a serem exibidos às terças pelo canal a cabo Multishow,sempre às 23h15. Agora o título é Amor (quase) Perfeito e osucesso da empreitada, anunciada como a primeira comédia desituações (sitcom) produzida por um canal fechado no Brasil, dáfilhotes.Em junho, os cinco episódios, com 20 minutos cada um,serão reeditados e exibidos como longa-metragem no CanalBrasil. Se der certo, pode chegar à tela grande."Esse seriado é um esforço econômico para a emissora,pois não é comum no Brasil as TVs pagas produzirem dramaturgia", disse o diretor do Multishow, Wilson Cunha, na terça-feira,na entrevista coletiva em que apresentou a edição 2002 doseriado, a terceira desde 1997. Cunha é o mentor do projeto como cineasta Marco Altberg, que assina a direção. Apesar do custo,que limita o número de episódios, ele considera a iniciativavitoriosa. "É um projeto desbravador, que já tem repercussão,embora os resultados comerciais ainda se façam esperar. Mas játemos planos para a quarta edição, talvez em 2003."A história de Joana e Marcelo é uma comédia romântica,com o charme e a pureza das chanchadas dos anos 50. Os dois seconhecem no carnaval, na escola de samba Mangueira, se apaixonam, mas não conseguem ficar juntos, pois ela é paulista e ele,carioca da gema. Na atual edição, ele tenta mudar-se para SãoPaulo, mas o banco em que trabalha como diretor de Marketing não lhe dá aprometida transferência. Ela, por sua vez, antropóloga eprofessora universitária, lança um livro de sucesso, mas nãoconsegue realizar o sonho de casar-se. No fim da história, osdois terminam passando o carnaval na Bahia, cumprindo o projetoinicial de mapear a festa em todo o País.Já a história da série dava outro filme. Em 1996,Altberg tinha realizado um extenso documentário sobre a escolade samba Mangueira e, por sugestão de Cunha, usou parte domaterial para o primeiro seriado. Agradou e, em 2000, o casalvoltou em mais cinco episódios, com o título Amor Que Fica.A terceira edição já é mais ambiciosa, pois não se prende àúltima e ainda foi registrada em filme de 16 milímetros, paravirar um longa-metragem. Em todas as edições, os atores VeraZimmerman e Roberto Bomtempo vivem Thiago e Verônica, um casalamigo, enquanto Iara Jamra é a amiga solteira e solitária, eImara Reis, a sogra implicante."Na primeira vez, eu tinha os recursos através da Leido Audiovisual e o Multishow entrou como sócio minoritário",contou Altberg. "Na segunda, dividimos os custos e, agora, souo que entra com a parte menor, mas o Alexandre e a Júliatornaram-se produtores associados. O importante é que a genteretoma os personagens em tempos espaçados e vê que eles estãoali e trabalhar juntos continua o mesmo prazer."O objetivo da série é claro: concorrer com as sitcomsimportadas, a custo total de R$ 700 mil, que cobre os cincoepisódios, o longa-metragem e o making of a ser exibido peloMultishow. "Mas estamos aí, com nossa bandeira",comemorava Júlia na coletiva. É exatamente nos custos que oprojeto esbarra, embora o total não pague sequer o cachê semanaldos astros dos concorrentes norte-americanos, como Friendsou Melrose. "O ideal seriam episódios semanais, por tempoindeterminado, mas por enquanto é impossível", comentou Cunha."Em meio às dificuldades de se produzir audiovisual no Brasil,adotamos o lema de Van Damme: retroceder jamais. Entre oprimeiro e o segundo episódio passaram-se três anos, e agora, sódois. Um dia chegaremos lá."

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