Mamãe está chegando

Paulo Gustavo debocha de tudo no set de Minha Mãe É Uma Peça

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h10

Piauiense de Teresina, Nonato Estrela possui uma expressiva folha corrida de serviços prestados ao cinema brasileiro, que começou quando foi assistente de Mário Carneiro no célebre curta Di Cavalcanti, de Glauber Rocha, em 1976. Com todo o seu prestígio de grande profissional, Nonato não é tão 'estrela' que esteja a salvo da verve furibunda de Paulo Gustavo. Estrela dirige a fotografia de Minha Mãe É Uma Peça, versão para o cinema do espetáculo que foi visto por mais de um milhão de pessoas em salas de teatro de todo o Brasil.

É domingo e o acesso ao estúdio na Gamboa está difícil por conta de obras que conflagraram aquela região do Rio. É neste local que André Pellenz roda uma cena de seu longa de estreia. Bobs no cabelo, um velho tênis, vestido folgado - mas o rosto impecavelmente maquiado -, Paulo Gustavo faz a mãe que solta os cachorros no casal de filhos adultos. Ela é gordinha, e a mãe a esculacha sem dó. Ele é gay, e mamãe aceita, embora também não o poupe. A cena ensaiada começa a ser filmada. "A-ção!", grita o diretor. A câmera segue Paulo Gustavo, que avança aos gritos pelo corredor em direção à porta do quarto do filho. Estrela interrompe o movimento por algum problema técnico. "Pa-rando", e pede desculpas.

Paulo Gustavo, com sua voz mais feminina, fala bem alto para todo mundo ouvir. "Tenho um amigo que se formou no Senac e que está louco pra bombar. Tem de ser ele?", e aponta para Nonato Estrela. "Não dá pra mudar?" O próprio repórter não aguenta e ri com a equipe. Paulo Gustavo é muito engraçado, como sabem os espectadores de O Divã, de José Alvarenga Jr., que o viram na pele do cabeleireiro de Lília Cabral. Alvarenga deu toda força para que Paulo Gustavo ganhasse um filme inteiro para dar vazão à sua comicidade. Ele é único, mas é múltiplo, criando os muitos personagens do programa 220 Volts, no Multishow.

Seu sonho, depois que Minha Mãe É Uma Peça arrebentar, é levar toda a trupe do 220 Voltas - ou seja, ele, em suas muitas caracterizações - para a tela grande. Paulo Gustavo tem até o mote - "Pode ser um filme sobre a dificuldade de se fazer um filme com tantos personagens, que tal?" O repórter lhe diz que nunca riu tanto num set. Longe de ficar contente, ele finge preocupação - "Será que estou queimando meu filme? Vai ficar engraçado também no cinema?", pergunta para a produtora Iafa Britz, de Nosso Lar e Totalmente Inocentes?

Ela acredita no sucesso - "Todo mundo tem mãe, para amar ou reclamar, e o filme ainda tem o humor do Paulo, que escracha com a mãe dele". O comediante admite que se inspirou na própria mãe, Dona Deia, para criar Dona Hermínia (o nome é emprestado de uma vizinha). "Você acha que exagero?", pergunta. Para mostrar que não, exibe uma gravação feita no celular. Dona Deia é muito mais engraçada (e louca) do que ele consegue ser. A mãe (de verdade) briga com ele. "Paulo Gustavo, o que você está gravando? Apaga isso, Paulo Gustavo, senão eu vou chamar a imprensa e contar tudo sobre você."

O diretor - Pellenz também dirige o 220 Volts - é outro que acredita no sucesso de Minha Mãe. "O público que curte a personagem na TV e no teatro vai encontrar outra coisa. Não é uma repetição. O roteiro tem outro tempo, mais personagens." Afinal, o texto, no teatro, é um monólogo e agora entram em cena o filho, a filha. E, em relação à TV, as figuras ficaram mais humanas, complexas. Nonato Estrela, que fotografou O Divã, aguenta bem as provocações de Paulo Gustavo.

A maquiagem é para tornar o rosto menos quadrado, mais feminino. Paulo Gustavo diz que deve tudo à mãe, às tias. "Meu avô dizia que, por baixo daqueles vestidos, elas eram todas homens." E ri, uma risada escandalosa. Leandro Hassum, de Até Que a Sorte nos Separe, e Marcelo Adnet, de Os Penetras, que se cuidem. Os fenômenos de bilheteria do ano vão ter mais concorrência em 2013, além de Ingrid Guimarães, com De Pernas Pro Ar 2. Paulo Gustavo está vindo com tudo.

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