MAM promove baile de máscaras

O Núcleo Contemporâneo do Museu de Arte Moderna (MaM) encontrou uma forma simpática e charmosa de arrecadar recursos para a compra de obras, que irão fazer parte de um rico acervo que a instituição está formando de artistas brasileiros dos anos 90. Um baile de máscaras.O Bal Masqué Rouge Miroir será realizado no dia 29, no Jockei Club, e promete surpresas, além de um vasto menu de atrações, como rifas de obras de arte, performances e outras novidades. Mas os convidados não irão com adereços aleatórios. O MAM teve o cuidado de encomendar cinco séries de cem máscaras - que serão os 500 convites para a festa. São assinadas pelos artistas Cabelo, os irmãos Fernando e Humberto Campana, Beatriz Milhazes, Sérgio Romagnolo e Pablo Reinoso, diretor artístico da Parfums Givenchy, patrocinadora da festa. Cada peça está sendo vendida a R$ 200, incluindo jantar durante o baile. "As peças, que virão acompanhadas de um certificado de autenticidade, são obras de arte com valor equivalente ao de uma gravura", afirmou a presidente do Núcleo, Isabella Prata. Há dois meses organizando o evento, ela explica que a idéia do baile é uma retomada do espírito das festas realizadas em Paris, Veneza e no Brasil, nas décadas de 20 e 30. "Os modernistas tinham o costume de realizar festas e bailes de Carnaval com cenários e figurinos feitos por Portinari, Segall e outros". Mas sem esse forte contexto beneficente. "Foi uma iniciativa bem interessante a de ajudar com arte a educação das pessoas", disse o designer Humberto Campana, ao cometar o trabalho inédito e bem interessante em sua carreira. "As máscaras geralmente escondem todo o rosto e só deixam aparecer os olhos, o que faz com que as pessoas acabem te reconhecendo. Pensando nisso, fizemos uma máscara que traz uma trama e que não deixa aparecer os olhos, nem identificar o olhar. Assim, a pessoa fica mais à vontade", comentou. Os convidados também poderão concorrer, através de rifas, à obras de artes doadas por galerias paulistas. Os organizadores recomendam que as pessoas usem roupa de gala. "Damos como sugestão o black tie, mas as pessoas podem ir mais à vontade". Isabella estima arrecadar R$ 60 mil, além de incentivar um espírito colecionista entre os convidados. "O mercado contemporâneo está cada vez mais cotado lá fora e nós não temos acervos de muitos artistas", disse. "Temos que conservar nossa história concientizando as pessoas da necessidade de doar uma obra a um museu ou a uma instituição, para que elas nunca se percam", afirmou Isabella, que pretende realizar a festa anualmente. Núcleo - Idealizado pela coordenadora Camila Figueiredo, o Núcleo promove desde que foi lançado - há quatro meses - uma série de atividades culturais para 110 sócios, indicados por um dos associados. Todos têm de colaborar com uma anuidade de R$ 600. Entre os eventos promovidos destacam-se visitas a ateliês e a coleções de arte, viagens culturais pelo Brasil e pelo exterior, debates com profissionais e especialistas das áreas de música, além de encontros periódicos para prestação de contas aos associados. Camila Figueiredo trouxe a idéia do grupo de estudos depois de ter trabalhado durante um ano como trainee no The Junior Associates do MoMA (Museum of Modern Art - NY). A renda do Núcleo, obtida com as anuidades, também é destinada para a aquisição de obras de arte. A primeira peça foi comprada em junho deste ano: a fotografia The Descent from the Cross, de Vik Muniz, inspirada em obra de Caravaggio, foi selecionada por Tadeu Chiarelli, curador-chefe do MAM. Bal Masqué Rouge Miroir Jockey Club de São Paulo. Dia 29 de agosto, às 21 horas.Para aquisição de máscaras - Arte 3 - tel.: (11) 3044-2739 ou 3846-5957. De 10 horas às 19 horas. arte3@uol.com.br

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