MAM na Oca, leitura especial da arte brasileira

As histórias do MAM e da Bienal caminham juntas. Têm o mesmo pai e uma vida, conturbada, em comum. Portanto nada mais natural do que realizar uma grande releitura do acervo do museu concomitantemente à grande mostra internacional que rapidamente tornou-se mais conhecida do que a instituição que a engendrou. Olhando ao mesmo tempo para a instituição e para a produção artística desenvolvida ao longo dessas várias épocas, a exposição MAM na Oca, que será inaugurada nesta segunda-feira no Parque do Ibirapuera, propõe uma leitura bastante particular da arte brasileira.Reunindo cerca de 700 obras realizadas a partir de 1968 - data em que o museu recomeça a constituir um acervo, tentando superar a fase de crise iniciada depois que Ciccillo Matarazzo decide doar a coleção do MAM para o Museu de Arte Contemporânea da USP - e com ênfase nas obras adquiridas após 1995 quando assume a atual presidência, essa exposição trabalha com vários eixos paralelos. A produção artística nacional não é a apenas vista como uma sucessão cronológica, uma evolução natural entre as várias escolas predominantes, mas em função de algumas questões que os curadores Tadeu Chiarelli, Felipe Chaimovich e Cauê Alves identificaram como relevantes para se pensar a recente produção nacional.Há uma evidente associação entre a arquitetura do espaço expositivo e as peças selecionadas. O subsolo, por exemplo, abriga obras associadas com a idéia de ´subconsciente´, trabalhos que tentam fugir de leituras hegemônicas da história da arte. São 200 obras nesse segmento, assinadas por artistas como Regina Silveira, Nelson Leirner, Oswaldo Goeldi, Waltercio Caldas e Miguel Rio Branco.Conforme vamos subindo em direção à cúpula arredondada da Oca, vamos sendo apresentados a núcleos que trabalham com a relação entre arte e espaço urbano - com grande ênfase sobre a fotografia -; e com questões essenciais da arte moderna como linguagem, forma e espacialidade. Ao final, há um espaço dedicado a artistas de ponta da produção contemporânea, que vem obtendo grande destaque no circuito internacional mas que ainda não são conhecidos do grande público, como o baiano Marepe. Artista que, aliás, promete ser uma das atrações nacionais na vizinha Bienal.

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