MAM faz revisão sobre seu tradicional projeto Panorama

Museu apresenta uma mostra com 101 obras que fazem parte de seu acervo e contam a história do projeto

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2008 | 17h23

Convidado a fazer uma revisão sobre o tradicional Panorama da Arte Brasileira, criado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1969, Ricardo Resende, que já foi da equipe de curadoria do MAM entre 1994 e 2002, preferiu organizar uma exposição que não tivesse um veio crítico. "Não quero avaliar o Panorama", diz Resende, acrescentando que deixa também de "julgar os júris" responsáveis por em diversas edições do programa escolher muitas das obras que hoje integram o acervo do museu. Dessa maneira, Panorama dos Panoramas, mostra que será inaugurada nesta quinta-feira, 31, à noite para convidados na Grande Sala do MAM, é, à primeira vista, apenas uma passagem por 101 obras que fizeram parte do projeto criado pelo museu. Mas é inevitável que diversas questões pipoquem dessa reunião livre, cronológica e "sem hierarquias" de peças de uma emblemática instituição.  Veja também:Fotos da exposição Panorama dos Panoramas  O Panorama de Arte Atual Brasileira, como era chamado, foi criado pela então secretária do museu, Diná Lopes Coelho. Em 1969, quando o MAM passou a ser abrigado no Ibirapuera, o museu teve de dar início a ações para a aquisição de obras já que o empresário Ciccillo Matarazzo tinha transferido sua coleção, em 1963, para o recém-criado MAC-USP. Assim, além de sintonizar o MAM nos rumos da arte contemporânea, o projeto também teria prêmios-aquisições. Na mostra atual, o início do percurso se dá com o quadro Mastros, de Volpi, prêmio de 1970. A partir dessa tela, faz-se amplo corredor com seqüência de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e apenas duas instalações (de Sergio Porto e de Genilson Soares), todos premiados em edições do Panorama. O modelo do projeto era o mesmo de um salão de arte, com obras inscritas de forma "democrática e menos criteriosa", como frisa o curador, e com júris que selecionavam os prêmios. "O primeiro Panorama contava com 600 obras", conta Resende. Nesse sentido, o que vemos nessa atual mostra é uma diversidade tão grande de estilos que reflete as escolhas dos jurados - e muitas das obras, relegadas à reserva técnica do museu, não eram quase nunca vistas. Dessa maneira, é possível falar de um trajeto da arte brasileira, vendo, agora, essa reunião de obras? "Não é possível porque os critérios de escolha foram muitos e diferentes", afirma Resende. Segundo o curador, predominava, enfim, uma preocupação estética. Nesse sentido, é possível ver uma lacuna de obras da década de 1970 fincadas na raiz conceitual e política daquele momento. Outra característica é a falta de fotografias, que só entraram a partir das aquisições de 1995. O Panorama também teve uma fase de edições que trataram de gêneros e em 1995, sob a curadoria de Ivo Mesquita, o projeto ganhou um caráter curatorial e até "ensaístico", como já afirmou Moacir dos Anjos, curador da última edição do Panorama, apresentada em 2007 e que será exibida em fevereiro em Madri. O MAM ainda inaugura na quinta obra do Projeto Parede feita por Carlito Carvalhosa e a exposição Moderno ou Contemporâneo?, feita por alunos do curso de curadoria ministrado por Resende e com obras do acervo da instituição.  Panorama dos Panoramas e Moderno ou Contemporâneo? MAM. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, 5085-1300. 3.ª a dom., 10 h às 18 h. R$ 5,50. Até 23/3. Abertura quinta, 31, às 20 horas

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