MAM do Rio quer recuperar finanças e popularidade

A nova diretoria do Museu de Arte Moderna do Rio quer recuperar as finanças, a popularidade e seu prédio, construído por Affonso Reidy e inaugurado em 1960. O economista Hélio Portocarrero, diretor executivo há 30 dias, se dá um prazo de quatro meses para isso. Ele tem experiência. Coordenou o Rioarte, órgão executivo da política cultural da prefeitura no primeiro governo de César Maia, entre 1993 e 1996. "A meta é mostrar à cidade a importância da cultura na economia", diz Portocarrero. "Trabalhamos para isso, mas a mudança de governo atrasou os patrocínios."Ele explica que as estatais, que mantêm as instituições culturais do Rio, atrasaram a renovação dos contratos de patrocínio e o dinheiro, que deveria ter saído em março, só apareceu agora. "Essa situação não deve se repetir, mas vamos aumentar o número de mantenedores do MAM e também criar um fundo de reserva para ocasiões como esta", promete.Segundo Portocarrero, dos quatro mantenedores, só o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou, na última sexta-feira, a primeira parcela dos R$ 500 mil anuais de patrocínio, através da Lei Rouanet. A Eletrobrás e Furnas, que entram com R$ 250 mil cada uma, não deram nada até agora, mas a prefeitura já pagou os R$ 400 mil de sua parte.A reforma do bloco-escola, cujo teto ameaça cair devido a infiltrações, está orçada em R$ 2 milhões, mas ainda não há projeto inscrito no Ministério da Cultura para patrocínio. "Essa é uma das questões a se atacar, assim como a melhor utilização dos espaços do museu e a reativação da Associação de Amigos", concorda Portocarrero.A situação do MAM carioca é complicada há tempos. Há um ano, o acervo de 48 mil matrizes de filmes da Cinemateca foi transferido para o Arquivo Nacional e a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Em fevereiro, a diretora, Maria Regina Nascimento Brito, anunciou que não tinha os R$ 3,7 milhões necessários às despesas de 2003 (manutenção e exposições previstas) nem o restauro do bloco-escola, que ela orçava em R$ 2,8 milhões.Portocarrero ressalta a importância do acervo do MAM, centrado na coleção de Gilberto Chateaubriand, com 5.000 mil obras. "Não existe outro painel tão completo da arte brasileira do século 20, moderna e contemporânea. Isso nos permite realizar exposições com diversos recortes", comenta. Um exemplo é a mostra inaugurada ontem, Da Revolução de 30 ao Pós-Guerra, enfatizando como o Modernismo de 22 se desdobrou no Estado Novo. As obras estão agrupadas por temas e tem quadros de Di Cavalcanti, Portinari, Guignard, Goeldi, etc. "É primordial manter a galeria aberta e o acervo nos permite isso. Mas estamos também reduzindo o ingresso de R$ 8,00 para R$ 4,00."Assim, pretende-se estimular a visitação. No ano passado, foram 34 mil visitantes (cerca de 100 por dia), mas o prédio debruçado sobre a Baía de Guanabara atrai grandes eventos, que são também fonte de receita. A Rio Fashion Week, ocorre em julho, pagando R$ 140 mil de aluguel e, em outubro, será a vez do TIM Jazz Festival, substituto do Free Jazz.

Agencia Estado,

13 de junho de 2003 | 16h10

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