MAM do Rio pede socorro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro pede socorro. Sem garantia de receita para cobrir oscustos R$ 3,7 milhões, previstos para 2003, enfrenta um problema extra: seu prédio,projeto do arquiteto Affonso Reidy, junto à Baía de Guanabara, precisa de obrasestruturais, pois desde sua construção, nos anos 50, não passou por uma restauração. "Precisamos de R$ 2,8 milhões só para as obras emergenciais, como o bloco-escola,cujo teto pode desabar se não houver um conserto", diz a diretora da instituição, MariaRegina Nascimento Brito. Segundo ela, até o ano passado, 37% vinham de receita própria (ingresso e alugueldas instalações a eventos como o Rio Fashion, da Federação das Indústrias do Estadodo Rio de Janeiro-Firjan, que pagou R$ 140 mil por quatro dias), 15% vêm da prefeiturado Rio, 40% através da Lei Rouanet (os principais parceiros são Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social-BNDES, Furnas e Eletrobrás) e os 8% retantesde patrocinadores diretos. "A Prefeitura reduziu a verba no ano passado e o Ministério da Cultural ainda não aprovou os projetos da Lei Rouanet", lemanta Maria Regina. "Por isso, nem posso captar." Não são problemas recentes. No ano passado, por falta de condições, o MAM retirou de seus depósitos os filmes que estavam lá desde os anos 40. Parte foi para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e parte para o ArquivoNacional, a que a prefeitura prometeu uma verba de R$ 3 milhões para criar a Cinemateca Carioca. O dinheiro não saiu até hoje.As 6.029 obras de arte do acervo, 4.048 da coleção de Gilberto Chateubriand, tambémtêm problemas de armazenamento."O acervo adquirido até 1980, cerca de 50% do total, está em boas condições, mas asoutras estão espalhadas em depósitos impróprios e não temos como construirinstalações adequadas", informa o curador do museu, Fernando Cochiaralli. Maria Regina afirma que, todos os anos, faz dois projetos de patrocínio, um para manutenção do MAM e outro para exposições. "Este ano já adiamos exposições porque o patrocínio não saiu",informa ela, que luta ainda com um problema suplementar: a falta de público. Em 2002,foram 35 mil visitantes, pouco mais de mil por mês. "O museu ainda sofre com a falta deacesso e segurança, que assusta o visitante. Mas vamos lutar sempre para mantê-lo àaltura de sua importância para a cidade e o País."

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2003 | 18h25

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