MAM demite diretor e extingue cargo

O Museu de Arte Moderna de São Paulo vive momentos de reformulação em sua curadoria depois do afastamento, nesta segunda-feira, do diretor técnico Ivo Mesquita. Ele comandou as exposições do museu nos últimos 18 meses. Agora, a curadora executiva Rejane Cintrão assume o posto até a formação de um Conselho de Curadores, que ainda não tem número de integrantes definido, nomes certos ou prazo para começar a funcionar."O afastamento é definitivo", diz o superintendente do museu Ronaldo Bianchi. Ele informou que está extinto o cargo de diretor técnico no MAM de São Paulo. A intenção da direção do museu com a reformulação é abrir portas para levar exposições do acervo para fora do Brasil e assim projetar a instituição. Uma curadoria exercida coletivamente, segundo Bianchi, traria mais contatos internacionais e diversidade de formação para cumprir esta função.Como o grupo que vai formar o Conselho de Curadores ainda está em discussão, Bianchi diz que o próprio Ivo Mesquita pode ser convidado a integrá-lo. "Não aceito", responde antecipadamente Mesquita, que permanece no museu apenas para fazer a transição para Rejane Cintrão até o fim deste mês. Mesquita disse que não foi avisado oficialmente da demissão, e que tem participado regularmente das reuniões de diretoria do museu, nas quais segundo ele nada parecido foi dito.A política de exposições pretendida pela direção do museu com a reformulação na curadoria, segundo Bianchi, é criar "produtos de exportação". Isso significaria levar mostras do acervo do museu para fora do País regularmente, em acordo com instituições internacionais. "A criação de um conselho talvez nos dê maior capilaridade para captação de oportunidades", diz Bianchi em comunicado oficial. Para Mesquita, a idéia não é boa. "A própria expressão é um absurdo, museus não têm que fazer produtos de exportação", diz.Mesquita concorda com a integração internacional de museus, mas alerta para a tendência de exposições espetaculares e milionárias. "Museus não podem competir com o showbiz, nem devem atender a demandas de mercado. Este é um problema geral dos museus nos dias de hoje, mas museu não é programa do Ratinho", afirmou.Ao longo dos 18 meses em que ficou à frente do MAM de São Paulo, Ivo Mesquita diz ter começado acordos com instituições internacionais para exposições conjuntas. Uma delas seria feita em 2005, em São Paulo e Chicago, numa parceria do MAM com o Museu de Arte Contemporânea de Chicago. O tema seria o tropicalismo. Agora, ele não sabe mais se a mostra será feita, assim como também não sabe se o museu vai manter a programação que ele já havia agendado.Se a política curatorial de Mesquita não era tão diferente do que a direção do Museu anunciou que agora pretende fazer, o ex-diretor técnico se espanta com o afastamento. Mas dá algumas pistas. "Como curador de um museu, não posso garantir que o presidente apareça na mídia toda semana", disse, fazendo uma alusão a Milú Villela, a presidente do MAM. A idéia de museu que Mesquita queria desenvolver era outra. "O MAM é experimental, exposições milionárias nem cabem aqui. O museu tem que desenvolver uma função educacional e de formação e guarda de acervo", disse. "Quando o Masp ou a BrasilConnects abrem exposições de US$ 4 milhões, não preciso mudar a programação."

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