Juan Guerra/ AE
Juan Guerra/ AE

MAM assumirá a Bienal de SP

Em nota oficial, Ministério da Cultura confirma museu como novo realizador

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h06

 

Conforme o Estado antecipou na sexta-feira, o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo foi confirmado ontem como a instituição realizadora da 30.ª Bienal de São Paulo, a ser inaugurada em setembro. O Ministério da Cultura (MinC) anunciou em nota a escolha do museu para se tornar o proponente legal do evento. "Deliberou-se pela maior tradição do Museu de Arte Moderna, pesando inclusive o fato de essa instituição ter sido a realizadora das primeiras edições da Bienal", afirmou o governo federal.

 

"Vamos atender com todo o empenho à solicitação do Ministério da Cultura para contribuir com a Bienal. O evento é estratégico para o País, e o MAM não poderia deixar de apoiar a fundação e seu presidente, Heitor Martins, que à frente da sua equipe realiza um importante trabalho de recuperação, já evidenciado na última edição da mostra. Havendo reais possibilidades técnicas de execução, o MAM ocupará, com imenso prazer, o papel de correalizador do evento", disse Milú Villela, presidente do museu.

 

Inicialmente, o Ministério da Cultura havia indicado o MAM, o Instituto Tomie Ohtake e a Pinacoteca do Estado para apresentarem propostas para assumir a 30.ª Bienal de São Paulo, uma vez que a Fundação Bienal de São Paulo está com suas contas bloqueadas - 13 convênios firmados pela instituição entre 1999 e 2007 estão sendo questionados judicialmente. A Pinacoteca se retirou do processo no início do mês.

 

"Tal solução não acarretará interrupção dos processos de prestação de contas em apuração", esclarece a nota do MinC. Por meio de sua Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, o governo federal elaborou uma nota técnica em 16 de fevereiro de 2012, propondo a alteração de proponente da mostra para uso dos recursos de incentivo à cultura.

 

Os R$ 12 milhões que já haviam sido captados pela Bienal antes de suas contas terem sido bloqueadas, em 2 de janeiro, vão ser transferidos para o novo proponente. A mostra tem orçamento estimado entre R$ 20 milhões e R$ 21 milhões. "A nova instituição será habilitada a captar novos recursos até o limite do previsto no projeto aprovado", informou a Assessoria de Comunicação do MinC.

 

"O importante é garantir que o evento ocorra a cada dois anos e realizar esse encontro histórico entre o MAM e a Bienal de São Paulo", afirmou José do Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao MinC. "A possibilidade de ter o MAM-SP como parceiro é um grande estímulo. O apoio de Milú Villela, uma grande ativista da cultura brasileira, e dos seus colaboradores, será vital para garantirmos a continuidade da Bienal. Com essa parceria, esperamos superar esse grande desafio", afirmou Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

 

Esta semana, representantes do MAM, da Bienal e da Advocacia Geral da União (AGU) se reúnem para definir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a realização da mostra, prevista para ser aberta para o público no dia 7 de setembro. Entre as premissas básicas do acordo, segue o projeto curatorial do venezuelano Luis Pérez-Oramas. "Entendemos que é possível a manutenção das equipes de curadoria e do educativo, a fim de evitar descontinuidade no projeto. No entanto, todas as decisões, doravante, deverão respeitar os termos do TAC a ser definido nos próximos dias. É necessário também que as instituições envolvidas acordem entre si a continuidade de todos os contratos", afirmou o MinC.

 

PARA ENTENDER

 

Quando a Bienal de São Paulo foi criada, em 1951, por iniciativa do empresário Francisco Matarazzo Sobrinho (Ciccillo Matarazzo), o Museu de Arte Moderna de São Paulo era a sede do evento. Tanto que o título da exposição, na época, foi 1.ª Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo e, naquele ano, o evento contou com 21 participantes. Foi assim até 1962, quando Matarazzo instituiu a Fundação Bienal de São Paulo como entidade autônoma e, no ano seguinte, as duas instituições foram separadas. Na década de 1960, a Bienal de São Paulo passou a ter como sede, assim, seu grande pavilhão no Parque do Ibirapuera.

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