MAM abre mostra do fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans

Apaixonado pelas estrelas, o alemão Wolfgang Tillmans, de 43 anos, adotou lentes e telescópio para observar os astros ainda na infância. No entanto, seu olhar não se fixou apenas no céu e logo se voltou também ao caos aqui embaixo. Principal opositor da Escola de Düsseldorf - movimento fotográfico dos anos 1970, que se baseia numa organização lógica e matemática do universo -, Tillmans apresenta o mundo de forma esteticamente bela e limpa, mas repleta de diversidade. De olho no cotidiano, com foco em pessoas e objetos, seu trabalho nem sempre parece ter sentido, como a vida contemporânea. É essa visão que estampa a partir desta terça-feira a grande sala do MAM (Museu de Arte Moderna) na primeira exposição individual do artista na América do Sul.

AE, Agência Estado

27 de março de 2012 | 10h28

Considerado um dos grandes fotógrafos da atualidade, Tillmans foi agraciado com o Turner Prize, prêmio concedido pela galeria Tate Britain a artistas expoentes com menos de 50 anos. Foi o próprio que procurou o MAM para que a mostra brasileira fosse realizada. Vinda da Serpentine Gallery, de Londres, a exposição ganhou novas ampliações e detalhes, uma vez que o artista trabalhou pessoalmente em sua montagem. Uma das novidades foi a inclusão de dois vídeos no acervo.

Com curadoria de Felipe Chaimovich, Julia Peyton-Jones, Hans Ulrich Obrist e Sophie O?Brien, cerca de 300 obras compõem uma retrospectiva. As fotos foram expostas de maneira diversa; algumas emolduradas, outras penduradas por fios, ganchos ou coladas na parede. Algumas delas, inclusive, se repetem em dimensões distintas, originando conjuntos irregulares. É como se, ao contrário dos colegas da Düsseldorf, Tillmans dissesse: aqui, nem tudo se explica com fórmulas. "Desde os anos 90, o trabalho dele aponta para essa nova relação que temos com a fotografia, em que tudo é fotografado", diz Chaimovich.

German Lorca - O MAM também abre nesta terça-feira a mostra "Fotografias: Acontece ou Faz Acontecer", com 120 obras que revisitam os mais de 60 anos de trabalho do fotógrafo paulistano German Lorca, que completa 90 anos este ano. Além de obras do acervo da instituição, há imagens cedidas por Lorca e ampliações novas.

Como o nome do evento sugere, o grande jogo no trabalho de Lorca é entender se a imagem mostrada foi um flagrante, ou seja, é documental, ou se teve a interferência do artista e se trata de uma cena montada.

Chaimovich, curador do museu, destaca a relação entre Lorca e Tillmans. "Eles são diferentes, mas carregam a mesma pegada contemporânea. É muito interessante ver esse contraste. E, ainda assim, eles têm uma prática fotográfica que em alguns pontos é comum", conclui. As informações são do Jornal da Tarde.

Wolfgang Tillmans / Fotografias: Acontece ou Faz Acontecer? - Museu de Arte Moderna, Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3). Tel. (011) 5085-1300. Abertura hoje, às 20h (para convidados). De amanhã até 27/5. De terça a domingo, das 10h às 18h. Grátis.

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