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'Malvado 2', o maior desafio do caracol turbinado

Pelo segundo fim de semana seguido, 'Meu Malvado Favorito 2' liderou as bilheterias no Brasil

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h17

Não teve para ninguém. Pelo segundo fim de semana seguido, Meu Malvado Favorito 2 liderou as bilheterias no Brasil, batendo O Homem de Aço, que ficou em segundo na estreia, Minha Mãe É uma Peça (terceiro) e O Cavaleiro Solitário (lanterninha, em quarto). Você pode argumentar que é temporada de férias, que as crianças lotam as salas, etc. Tudo é verdade, mas Meu Malvado 2 só com muita boa vontade pode ser considerada uma grande animação. Já Turbo, de David Soren, que estreia hoje, é grande. Vai bater o Malvado 2? Essa é a questão.

Até acertar o tom, com Shrek, a DreamWorks teve muitas animações meia-boca, para não dizer malsucedidas. Turbo é das melhores. Tem algo de trabalhos que fizeram história na Pixar (de John Lasseter) - Carros, Ratatouille. Um caracol sonha ser campeão em Indianápolis. Tem um irmão que o adverte de que é loucura, que não dá. Caracóis são lentos por natureza, mas um acidente turbina o herói e ele vira uma aberração aos olhos de seus semelhantes.

Incentivado pelas palavras do campeão francês - e ele, sim, mais que o "malvado favorito", é o demo em pessoa -, nosso herói segue em frente. Encontra um chicano vendedor de tacos que vive fazendo planos mirabolantes para incrementar o negócio do irmão (e eles, invariavelmente, fracassam). Pronto. Você sacou tudo. Turbo é uma espécie de fábula (dupla) sobre dois irmãos. E em ambos os casos, os irmãos "práticos" vão perceber como é importante empurrar os loucos sonhadores.

Em todas as entrevistas que já deu, Lasseter, o sr. Pixar, gosta de dizer que a tecnologia é uma ferramenta fácil de dominar. Difícil é criar boas histórias, e por isso ele considera o roteiro uma ferramenta tão ou mais necessária que as técnicas de animação. O roteiro de Turbo começa e termina com o caracol tentando superar seus limites. No início, sem superpoderes e dando o máximo de si, ele demora para percorrer o que, embora seja uma distância mínima, lhe parece o circuito inteiro (as 500 voltas) de Indianápolis. No fim... Veja para saber como as coisas ocorrem daquele jeito, Turbo de novo tem de se superar.

O filme é outra fábula de superação. Não importa quão grande seja seu sonho nem quão pequeno você seja, não desista. Parece banal, mas não é. O realismo da moderna animação permite aos diretores criar detalhes e investir na perspectiva de um jeito que era impossível na era da animação artesanal. Poucos filmes - Grand Prix, de John Frankenheimer, Speed Racer, dos irmãos Wachowski, outra fábula de dois irmãos - mostram o circuito do automobilismo desse jeito. A publicidade faz outro investimento - Turbo é veloz, seus aliados são furiosos.

Identificar-se com um caracol exige fantasia, mas se você já fez isso com aquele rato que queria ser chef, por que não? As distribuidoras, que gostam de convocar celebridades para a dublagem, só erraram numa coisa. Por melhor que seja Maurício Berguer, dublador do piloto francês, Vincent Cassel, com sua experiência de bad guy e seu português afrancesado, seria imbatível para incrementar ainda mais a mídia.

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