Maluf é o pior entrevistado, diz Casoy

Dono de um estilo que fez escola, o apresentador do Jornal da Record e do semanal Passando a Limpo, que a partir desta semana passa do domingo para o sábado (23h30), Boris Casoy é responsável por um dos maiores faturamentos de sua emissora. Nesta entrevista, o jornalista passa a limpo sua carreira, revela suas gafes e saias-justas.Do que você mais gosta: apresentar notícia boa ou ruim?Boris Casoy - A boa sempre, embora eu ache, às vezes, que a notícia ruim tenha uma finalidade social. Noticiar a corrupção, por exemplo, é desagradável, mas a denúncia dela tem uma utilidade cidadã.O público identifica de imediato o estilo Boris Casoy. O bordão "é uma vergonha" não está gasto?Não, só uso o bordão quando necessário. Mas, quando passo dois ou três dias sem usá-lo, recebo telefonemas e e-mails reclamando. Esse bordão não tem um sentido moralista, mas de indignação.Você é responsável por um dos maiores faturamentos da Record. A que atribui essa performance?À seriedade do telejornal, à sua imparcialidade e ao nosso senso crítico. A minha opinião é uma coisa, a linha do telejornal é outra. Não sou a única instância a decidir. Muitas vezes, a opinião da equipe, do diretor, Dácio Nitrini, prevalece.Qual é o seu grau de independência na Record?Quando assinei com a Record muita gente duvidava que eu conseguisse manter a minha independência. Garanto que jamais houve qualquer interferência, tanto no Jornal da Record quanto no Passando a Limpo.Não o incomoda que o seu telejornal venha colado ao "Cidade Alerta"?Não decido sobre a programação. Ao contrário do que muita gente pensa, é grande o número de espectadores do Cidade Alerta que continuam ligados no Jornal da Record.Quem foi seu pior entrevistado?Paulo Maluf, porque ele ignora as perguntas que lhe são feitas e usa a entrevista para dar o seu recado.Você já perdeu o rebolado diante das câmeras?Quando perco, peço desculpas. Como no dia em que comentei que certos policiais do Paraná tinham sido mais lerdos que uma tartaruga paralítica. O pessoal no estúdio colocou a mão na cabeça: o público poderia achar que eu tinha preconceito contra deficientes. Logo eu, que tenho um defeito na perna por causa de uma poliomielite que me fez ficar até os 9 anos de idade sem andar. Pedi desculpas e expliquei que era portador de deficiência. Posso ter cometido outras atrocidades, mas esta me deixou muito mal.Quem é melhor de entrevistar: o presidente Lula ou o ex, Fernando Henrique?Os dois falam de tudo e nem querem saber antes quais as perguntas que serão feitas.Algo já o desconsertou no ar?Já, quando entrevistei a cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Ela chegou descalça, fumando e de péssimo humor. Arranjamos uma intérprete porque ela só falava no dialeto de sua região. Tinha quase 40 minutos para preencher e Cesária só respondia sim e não. De vez em quando, dizia umas frases maiores que a moça traduzia como "ela diz que adora a música brasileira e de se apresentar no Brasil". Como o combinado, pedi para ela cantar. Ela se recusou e perguntei por quê. "Porque eu não quero", disse. Depois do programa, amigos de Cabo Verde ligaram para me gozar: "Tu não sabes o que ela falou de ti." Cesária me chamou de chato e só queria saber quando o programa ia terminar. A intérprete tinha inventado outras respostas por constrangimento.

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