Malala, Nobel da Paz, é idolatrada no mundo e rejeitada em seu país

Malala Yousafzai, jovem que ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira, é saudada como uma representante mundial dos direitos das mulheres, que enfrentou bravamente o Taliban para defender suas ideias.

MARIA GOLOVNINA, REUTERS

10 de outubro de 2014 | 09h47

Mas em seu país, profundamente conservador, muitos a enxergam com suspeita, como uma rejeitada ou até mesmo como uma criação ocidental que busca danificar a imagem do Paquistão no exterior.

Malala, agora com 17 anos, tornou-se mundialmente conhecida em 2012, quando combatentes do Taliban quase a mataram por sua apaixonada defesa relacionada aos direitos das mulheres no acesso à educação.

Desde então, ela se tornou um símbolo de desafio na luta contra militantes que operam nas áreas tribais de Pashtun, nordeste do país - uma região onde se espera que as mulheres não expressem sobre suas opiniões e fiquem em casa.

“Os terroristas pensaram que poderiam mudar nossos objetivos e parar nossas ambições, mas nada mudou em minha vida exceto isso: fraqueza, medo e desesperança morreram. Força, poder e coragem nasceram”, disse ela nas Nações Unidas no ano passado.

“Eu nem mesmo odeio o taliban que atirou em mim. Mesmo se houver uma arma em minha mão e ele ficar na minha frente. Eu não atiraria nele”, disse ela em um discurso que cativou o mundo.

Malala também conquistou o prêmio da União Europeia para direitos humanos e era considerada uma das favoritas a ganhar o Nobel neste ano.

Vivendo na Grã-Bretanha, ela não pode voltar para casa porque o Taliban ameaça matá-la, bem como os membros de sua família. O atual chefe do Taliban, mulá Fazlullah, foi quem ordenou o ataque contra ela em 2012.

Malala passou a frequentar uma escola em Birmingham e tornou-se uma ativista global para o direito das mulheres à educação, assim como outras questões de direitos humanos, assumindo posições em situações como na Síria e na Nigéria.

Na região em que nasceu, o vale de Swat, muitas pessoas veem Malala, apoiada por uma família compreensiva e um pai que a inspirou a continuar sua campanha, com uma mistura de suspeita, medo e ciúme.

À época de sua nomeação ao Nobel no ano passado, sites de mídias sociais foram tomados com mensagens de insultos. “Odiamos Malala Yousafzai, uma agenda da CIA”, dizia uma página no Facebook.

“Diz o sábio que ‘a caneta é mais poderosa do que a espada’, e é verdade. Os extremistas têm medo dos livros e das canetas”, disse ela nas Nações Unidas. “O poder da educação os assusta. Eles têm medo das mulheres. O poder da voz das mulheres os assusta."

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