Maïwenn Le Besco, de 'Polissia', conta detalhes do filme

Sandrine Kiberlain, que tem a melhor cena de Os Infiéis - a terapeuta que discute fidelidade com seus pacientes viciados em sexo -, faz uma participação episódica como M. de la Faublaise em Polissia. Antes que você se pergunte por que diabos a palavra está grafada errada, é bom ir logo esclarecendo que o longa francês que estreia nesta sexta-feira trata de abusos e violências cometidos contra crianças e adolescentes, daí o título.

AE, Agência Estado

28 de setembro de 2012 | 11h45

Essa garotada que ainda nem sabe escrever direito vai parar na brigada da polícia francesa que investiga a violência contra menores justamente por isso. Desde muito cedo estão sendo confrontados com a violência do mundo. Sandrine e Karin Viard estão no elenco e são conhecidas do público brasileiro. Outros atores e atrizes também, mesmo que o espectador eventualmente não saiba dizer seus nomes. O importante é destacar que se trata de mais um longa escrito, dirigido e interpretado por Maïwenn.

Quem? Maïwenn Le Besco ganhou no ano passado o prêmio do júri no Festival de Cannes, justamente pelo filme que agora estreia. O próprio presidente do júri, o ator Robert De Niro, destacou que a qualidade da interpretação havia sido decisiva para o reconhecimento. Maïwenn é bela, de uma beleza particular - não especialmente sexy, mas tem um belo corpo, olhos luminosos e um sorriso contagiante. Na entrevista por telefone, ela submete o repórter a uma dura prova. Maïwenn não é agressiva, mas é vaga. Tende a falar por monossílabos. Diante de perguntas cruciais - por que quis abordar o universo da infância e da adolescência -, responde: "Não sei".

Mas ela fornece indicações. "Foi um assunto que sempre me interessou. Você abre os jornais, assiste à TV e é raro o dia que não encontra informações sobre abuso e violência contra menores. Eles são sempre a parte frágil. Mas não queria abordar o assunto do ponto de vista da família ou da escola. A atividade da polícia me parecia o ideal. Eles fazem um trabalho investigativo, poderia me colocar do ângulo desses homens e mulheres. Ao mesmo tempo, eles não podem, ou não devem, se envolver exageradamente. Só que é difícil manter a distância quando uma criança olha para você buscando ajuda."

Bordas. Maïwenn já havia feito antes Le Bal des Actrices, O Baile das Atrizes, um longa nos limites do documentário e da ficção, tratando do universo da interpretação. Como é, ou o que é ser atriz? O que é representar? Um tanto desse limite, um cinema das bordas, volta em Polissia. Maïwenn quer captar e colocar na tela a urgência das brigadas de policiais. Sempre um caso novo para investigar - novas vítimas, novos algozes. Mas se você pergunta por que, ela diz: "Não sei".

No filme, Maïwenn reservou-se o papel da fotógrafa que vai fazer um trabalho de pesquisa junto à equipe de policiais. Ela ganha autorização para acompanhá-los. "Sim", ela concorda. Há algo de metafórico na ideia de olhar esse mundo de fora, e fazendo com que sua personagem seja o fio condutor do público. A fórceps, é possível arrancar alguns detalhes. Maïwenn gosta de séries policiais investigativas, muito populares na TV norte-americana. Não escreve pensando especificamente em atores, mas quando eles estão a bordo, ela não se importa que os diálogos sejam adaptados ao estilo, ou à persona, de cada um.

Ela se entusiasma um pouco mais quando o repórter fala que esse tipo de realismo epidérmico, realçando a urgência, é o forte de Polissia. Passa um sentimento de coisa verdadeira. "É gentil de sua parte", ela diz. E acrescenta - "Era o que queria."

Polissia - Direção: Maïwenn. Gênero: Drama (França/2011, 127 minutos). Classificação: 14 anos.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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