Mais um museu do Rio dá falta de obras raras

O estudante de biblioteconomia Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 31 anos, preso em São Paulo por ter vendido um livro raro roubado do Museu Nacional, pode ter atuado em outros lugares do Rio. O Museu da Cidade informou ontem que dez fotos de Ipanema, Leblon e Lagoa no século 18 sumiram. Segundo a diretora, Mônica da Costa, o estudante esteve várias vezes no local há três anos. A polícia informou que prendeu dois cúmplices de Oliveira.O diretor do Museu Nacional, Dante Martins Teixeira, esteve no apartamento de Oliveira, examinando obras apreendidas. O Museu Nacional também revelou ontem que, além do roubo de 13 in-fólios (livros grandes e pesados, com mais de 36 centímetros) e da retirada de páginas de 11 exemplares do acervo de obras raras, descoberto há duas semanas, pelo menos mais três livros tiveram folhas arrancadas. Foram os de Johann Moritz Rugendas (Paris, 1835), no qual ele relata viagens pelo Brasil, e de Jean Baptiste Audebert, estudo de 1800 sobre macacos. E mais páginas foram roubadas do livro de Alexandre Rodrigues Ferreira, do século 19, descrição de viagens pela Amazônia, já incluído na lista dos 11 in-fólios com folhas cortadas.A diretora do Museu da Cidade, que guarda acervo sobre o Rio antigo, disse que começou a fazer um levantamento dos retratos ontem, depois que reconheceu a foto de Oliveira nos jornais. "Ele esteve aqui no fim de 2001 ou de 2002, tenho certeza de que foi ele que levou as fotos. Apresentou-se como Laerte, disse que estudava na PUC de Campinas e estava fazendo uma monografia sobre arquitetura do Rio antigo." Segundo ela, o inventário do acervo, que tem 5 mil fotos, está apenas começando e mais obras podem ter sumido.Mônica desconfiou do estudante e de um amigo, que se identificou como Ricardo (um dos presos por participação nos roubos é Ricardo Pereira Machado, de 22, amigo de Oliveira). O motivo: eles queriam reproduzir fotos do acervo, mas não apresentaram documento oficial da faculdade, exigência do museu. "Quando insisti, eles sumiram. Liguei para a PUC de Campinas e nenhum dos dois passou por lá."

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