Mais um espanto que músico provoca com seus amigos

O primeiro grupo de Jason Adasiewicz foi o Rolldown, quinteto que formou em 2003 e tinha Aram Shelton, Josh Berman, Jason Roebke e Frank Rosaly. Em 2008, montou um trio que já é histórico, com Mike Reed na bateria e Nate McBride no baixo. Era o Sun Rooms, cujo disco homônimo de estreia, do ano passado, pagava tributo a Sun Ra (Overtones of China), Duke Ellington(Warm Valley) e a um pianista que só foi registrado uma vez em sua vida, ao lado de Max Roach, em 1964: Hasaan Ibn Ali (Off My Back Jack).

O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2012 | 03h06

Este mês, Adasiewciz reapareceu com o disco Starlicker (selo Delmark), ao lado do trompetista Rob Mazurek (vindo da Exploding Star Orchestra) e do baterista John Herndon (do grupo Tortoise), trio que batizaram de Double Demon. Novo espanto.

Oriundo da cena avant-garde de Chicago (uma cena que também é conhecida como pós-rock), o trio mostra coesão e intensidade raras nos grupos de jazz da atualidade, além de rascante contemporaneidade. Em seis músicas, Adasiewicz e Herndon criam uma pororoca de batidas no meio da qual se encaixa o trompete de Mazurek, como se fosse uma bicicleta no meio de um engarrafamento de trânsito.

Não há baladas contemplativas no disco. Andromeda é um crescendo de trompete sob uma avalanche de batidas - Herndon, dessa vez, marcando o ritmo e Adasiewicz inventando harmonias. Orange Blossom é um post-bop acelerado, vanguardístico, irresistível como um rock cru. Triple Hex sugere uma canção criada com colheres na boca de taças de cristal, de tão delicada. Já paparicado por publicações como a revista Down Beat, Adasiewicz é o avatar de uma nova modernidade. /J.M.

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