Mais três peças inéditas no Sesi

Depois da apresentação das peças de Fernando Bonassi, Leonardo Alkmim e Marici Salomão, será a vez de os dramaturgos Mário Bortolotto, Pedro Vicente e Sérgio Salvia Coelho terem seus textos encenados, neste fim de semana, na Mostra de Dramaturgia Contemporânea, que teve início na semana passada e, até o dia 30, levará ao palco do Teatro Popular do Sesi 15 textos inéditos de autores teatrais paulistanos. Há algum tempo deixou de ter fundamento a queixa bastante comum de alguns atores de que não há novos dramaturgos no cenário brasileiro. Na maioria das vezes, produtores buscam o caminho do aeroporto antes mesmo de pesquisar o que há de novo por aqui. Com o intuito de difundir junto a um público mais amplo e também entre os produtores culturais a produção de jovens dramaturgos, Renato Borghi e Élcio Nogueira há um ano vêm planejando uma grande mostra de dramaturgia contemporânea. Que finalmente ganhou, na semana passada, o palco do Teatro Popular do Sesi. Em cinco semanas, sempre de quinta a domingo, serão exibidas 15 peças curtas, todas inéditas, sob diferentes direções, todas interpretadas pelo quarteto Renato Borghi, Élcio Nogueira, Luah Guimarães e Débora Duboc. Atores que vão viver os personagens de Deve Ser do C... o Carnaval em Bonifácio, de Mário Bortolotto, com direção de Fauzi Arap, uma das três peças desta semana. As outras duas são Só, Ifigênia, sem Teu Pai, de Sálvia Coelho, e Sem Memória, de Pedro Vicente. A produção intensa de Bortolotto é um ótimo exemplo para comprovar que peças não faltam para serem encenadas. Ele já chegou a apresentar uma mostra no Centro Cultural São Paulo de 14 espetáculos de sua autoria. Deve apresentar em breve uma outra com cerca de 20 peças. Evidentemente que tamanha produção apresenta altos e baixos. Mas há alguns textos de grande qualidade, entre eles Nossa Vida Não Vale um Chevrolet, cuja trama gira em torno de uma família de ladrões de carro, e Leila Baby, que explora a destrutiva relação entre um homem e uma mulher. Além de autor, Bortolotto é também diretor e ator. Grande parte de suas peças é produzida e dirigida por ele mesmo. Não por algum tipo de egocentrismo. "Estou honrado com a direção de Fauzi Arap para a minha peça", afirma Bortolotto. Certamente o autor e o teatro brasileiro sairiam ganhando com uma maior diversidade de olhares sobre seus trabalhos. Os excluídos são os personagens de Carnaval em Bonifácio. "Mas é um texto afetuoso, quase uma pausa na violência que permeia minha obra.""Só, Ifigênia, espécie de apropriação do tema da tragédia grega adaptado ao ambiente urbano, é a primeira peça de Salvia Coelho e terá direção de Márcio Aurélio. Com algumas peças já encenadas, entre elas Disk Ofensa e Linha Vermelha, Pedro Vicente escreveu Sem Memória, que será dirigida na mostra por Johana Albuquerque e tem como personagem central um profissional bem-sucedido que entra em surto durante um coquetel. Na segunda-feira começa um ciclo de debates em torno dessa nova produção dramatúrgica. Aimar Labaki, Fernando Bonassi, Bosco Brasil, Otávio Frias Filho e Marcelo Rubens Paiva serão os debatedores desse primeiro dia. Serviço - Mostra de Dramaturgia Contemporânea. Esta semana, Só, Ifigênia, sem Teu Pai. De Sérgio Salvia Coelho. Direção Marcio Aurélio; Deve Ser do C... o Carnaval em Bonifácio. De Mário Bortolotto. Direção Fauzi Arap; Sem Memória. De Pedro Vicente. Direção Johana Albuquerque. Duração: de 20 a 40 minutos cada espetáculo. De quinta a sábado, às 20 horas; domingo, às 19 horas. Grátis (retirar convites uma hora antes). Entre 10 de junho e 1.º de julho, sempre às segundas-feiras, ciclo de debates sobre a produção dramatúrgica no Brasil com a crítica Mariângela Alves de Lima, o diretor Eduardo Tolentino e a pesquisadora Maria Rita Kehl, entre outros. Para participar dos debates é necessário inscrever-se por telefone com antecedência. Teatro Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, em São Paulo, tel. 3284-3639. Até 30/6

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