"Mais Perto" estréia temporada no Rio

Depois de uma temporada de quatro meses em São Paulo, chega ao Teatro Villa-Lobos, no Rio, a peça Mais Perto. Estreando nesta sexta-feira, o espetáculo vai ficar dois meses em cartaz, para então se lançar em turnê por seis cidades do Brasil. Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba estão no roteiro. Esta é a segunda peça escrita por Patrick Marber, jovem dramaturgo inglês aclamado por ter feito de Mais Perto (Closer) uma análise das relações amorosas dos anos 90. No Brasil, a peça é dirigida por Hector Babenco e tem no elenco Renata Sorrah, José Mayer, Marco Ricca e Guta Stresser.Mais Perto é feita de 12 quadros, com os quatro personagens se envolvendo em redes amorosas nada bem sucedidas. Anna, uma fotógrafa, é casada com Larry, um médico interessado em Alice, uma stripper recém-abandonada por Dan, jornalista de quem Anna se separou. Não param aí as reviravoltas amorosas e sexuais. Os personagens revelam uma ética bastante particular que, talvez por ser moderna demais, não seja de fácil entendimento. Traição e falsidades tornam-se fatos comuns em suas vida. Sem vergonha nem arrependimento, Anna, Dan, Larry e Alice unem-se e separam-se, sempre às voltas com a solidão.Hector Babenco retoma a direção teatral com esta peça. Sua última empreitada pelos palcos foi em 1988, quando dirigiu Loucos de Amor, de Sam Sheppard. Segundo Renata Sorrah, que vive a fotógrafa Anna e também produz o espetáculo, Babenco "conhece o ser humano". Renata fala de Mais Perto com carinho de mãe. "Hoje estou muito mais íntima de Anna, e ela está mais vivida", diz, ressaltando que mesmo com cinco meses de trabalho ainda resta o que conhecer de um personagem.Sexo virtual - Foi Renata quem trouxe Mais Perto para o Brasil. "Quando vi a peça em Londres, dirigida pelo próprio Marber, senti que conhecia aquelas pessoas", lembra. Renata comprou os direitos para encenar Closer em português imediatamente. Quando recebeu o convite para a direção, Hector Babenco quis recusar. Mas a leitura da peça o fez voltar atrás, surpreso com a atualidade dos personagens. Renata anunciou que Patrick Marber vem ao Brasil em janeiro, quando a peça vai estar em temporada popular no teatro Carlos Gomes. Sua relação com o teatrólogo inglês começou um pouco fria. "Meu primeiro e-mail foi para ele, quando escrevi uma carta calorosa perguntando se minha personagem sentia culpa". A resposta, em duas linhas, confirmava, mas chocou Renata pela economia de palavras. "Hoje já trocamos mensagens mais extensas", diz. O caso não deixa de colaborar com a proposta da peça, que questiona o isolamento amoroso em práticas já habituais, como o sexo virtual."Marber fala da solidão em que vivemos, mas não somente da solidão afetiva, e sim de uma solidão total", diz Renata. "O submarino Kursk é um exemplo perfeito. O presidente deixou de pedir ajuda por razões políticas e não pensou na vida daquelas pessoas", indigna-se. Renata acredita que Mais Perto seja um retrato de como atitudes e omissões gritantes podem se reproduzir em nosso cotidiano. E interpreta o momento em que vivemos: "a tecnologia vai a passos largos, mas o comportamento humano ainda está engatinhando".Atriz de teatro - Renata Sorrah é apaixonada até para falar ao telefone. Seu entusiasmo ganha contornos definidos quando está no palco. Ela não se cansa de fazer declarações de amor ao teatro. "Sou uma atriz de teatro", diz, "a TV aconteceu na minha vida, embora eu não pensasse sobre isso". Mas contemporiza, dizendo que muitos trabalhos em televisão lhe deram prazer, citando prontamente Heleninha Roittman, a alcoólatra de Vale Tudo. Renata faz um aparte para louvar sua colega de cena Guta Stresser, que faz a stripper Alice na peça. "Guta é um grande atriz, com senso de humor para lidar com a vivência que tem." Ela conta que várias jovens atrizes quiseram o papel de Alice, mas "eu não vejo Alice em outra atriz que não seja Guta Stresser".A encenação de Mais Perto abre o debate sobre a possibilidade de realização pessoal e amorosa nos tempos de hoje. Para Renata, é possível encontrar a felicidade num amor, no que difere de sua personagem. "Anna não consegue a sua satisfação plena, mas também não se torna amarga por isso". revela. Renata, que se declara uma otimista, não se vê como oposto de Anna, que classifica como uma mulher não otimista, nem pessimista. "Anna fica sozinha, mas vai vivendo, e isso eu acho bacana", afirma Renata.Mais Perto - Teatro Villa-Lobos, Av. Princesa Isabel, 440, Copacabana. Tel: 275-6695 Quinta, sexta e sábado, 21h Domingo 19h Quinta: R$20; Sexta e domingo: R$25; Sábado: R$30 .

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