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JULIETA VENEGAS

, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

OTRA COSA

SONY

Preço: R$ 29,90

Belas canções que poderiam estar em qualquer idioma

Julieta Venegas, uma californiana que viveu a maior parte dos seus 40 anos na cidade de Tijuana, no México, chega aos poucos a um país que historicamente não lida bem com cantores de língua hispânica. Seu álbum de maior relevância por aqui foi MTV Unplugged, lançado em 2008 e que trouxe Marisa Monte dividindo vozes com ela na belíssima Ilusión. O álbum é precioso em vários momentos, mas não decolou. Agora, a cantora retorna com Otra Cosa, um bom teste para torná-la um nome de massas ou, definitivamente, uma eterna fofura underground. Poder para ser tocado muitas vezes ele tem. Julieta, autora de todas as músicas, volta com suas habilidades para fazer canções meigas sem infantilizá-las, limpas sem empobrecê-las. O encarte dá demonstrações de até onde pode ir essa "chica". Em Amores Platónicos ela toca guitarras acústica e elétrica, acordeom, percussão, teclados. Em Otra Cosa, vai de piano, xilofone, banjo. Revolución a tem ao piano, cavaquinho e um instrumento chamado melodion. Poderia ser mero exibicionismo se o resultado não ficasse tão saboroso. / JULIO MARIA

CLÁUDIO LACERDA

CANTADOR

Independente

Preço: R$ 22

A evolução de Cláudio Lacerda na estrada

A estrada é o ponto de evolução da música de Cláudio Lacerda em seu belo terceiro álbum, Cantador, em que dá ênfase a seu talento de compositor, com alguns bons parceiros. O espírito on the road está explícito em títulos como Estradeiro e Caminhador, mas embutido em outras canções como Sina de Cantador (parceria com Julio Bellodi) e a linda toada Tempos Atrás, de Sérgio Penna. Para quem não conhece esse violeiro e cantor paulista - dono de belo e envolvente timbre -, serve de referência a proximidade que tem com o estilo de Almir Sater e Renato Teixeira, pelo misto de interesse pelas belezas campestres com a base na vida urbana. Além da paisagem em movimento, a fé, a nostalgia, elementos do cotidiano do matuto e a própria música inspiradora povoam seus versos bem escritos. Dominguinhos toca sanfona e canta com ele em Canto Brasileiro. Ele ainda faz uma versão mais acelerada de Velhos Amigos (Paulo Simões), clássico do repertório de Sater. / L.L.G.

FÁBIO ZANON

VILLA: OBRA COMPLETA PARA VIOLÃO SOLO

Biscoito Fino Preço: R$ 32,50

Exuberância técnica a serviço da musicalidade

Em uma entrevista recente, o violonista Fábio Zanon (foto) falava da importância da obra de Villa-Lobos. "Ele montou nos anos 20 uma forma de criar, uma ideia de música. É fantástica a maneira como se expressa de maneira única." Adentrar esse universo, no entanto, exige cuidado do intérprete. A individualidade da obra de Villa está em seu caráter multifacetado - e ela sofre nas mãos de interpretações que se pretendem totalizantes. Cada peça exige uma percepção individual - única maneira de fazê-la dialogar com um todo fascinante. Pois é exatamente o que Zanon alcança no álbum dedicado à integral do compositor para violão solo. A exuberância técnica está a serviço da descoberta de uma musicalidade deslumbrante, que oferece ao ouvinte o que peças como os Choros nº 1 têm de melhor. Lançado na Europa no final dos anos 90, o disco, agora em edição nacional, segue como referência. / JOÃO SAMPAIO

LADY GAGA

LADY GAGA

REMIX

Polydor Preço: R$ 30

Lady Gaga já era para pista. Ficou ainda mais

Não, não é mais um disco de Lady Gaga. Não no sentido artístico da coisa. Mas se há um luxo que essa mulher pode ter é o de ver suas músicas retrabalhadas para pista (se é que isso não soa pleonástico). Afinal, há quanto tempo não surgia uma cantora com tanto talento para fazer com que as pessoas que ficam paradas em uma festa tenham a ligeira sensação de que estão perdendo alguma coisa importante na vida? E lá vem Gaga, relida por Pet Shop Boys (Eh,Eh - Nothing Else I Can Say), Chew Fu GhettoHouse Fix com Marilyn Manson (LoveGame) e uma gangue de baladeiros. Só Telephone tem três versões. Um mimo para os fãs. / JULIO MARIA

CRIOLINA

CINE TROPICAL

Independente

Preço: R$ 25

Sabedoria popular impulsiona nova viagem do Criolina

Entre os muitos netos da Tropicália, a dupla maranhense Criolina se destaca já há algum tempo. Em Cine Tropical (Funarte/Pixinguinha), a dupla Alê Muniz e Luciana Simões reinterpreta em disco as visões de José Agrippino de Paula, misturando referências pop (western spaghetti, cinema francês e até mangue bit) com o brega nordestino, o "reggae de salão" e sons da cultura de rua - os camelôs, os pregoeiros. É possível fazer o santo baixar pela internet, ensina o Criolina. "Nóis adora Amy Winehouse." Fino biscoito da invenção popular. / JOTABÊ MEDEIROS

THE BLACK KEYS

BROTHERS

Nonesuch Preço: R$ 68

Blues à moda antiga. Em versão indie

O sexto do Black Keys mantem-se fiel à conhecida fórmula do grupo: blues rock alternativo com vocais sujos e guitarras distorcidas que soam como se fossem amplificadas por uma caixa de papelão. A combinação, propositalmente concebida para dar uma cara retrô ao som da banda (como num desses botecos nostálgicos decorados com azulejos antigos), acaba se tornando uma obsessão narcisística que leva o som do grupo a cair na mesmice. Mesmo assim, Brothers satisfaz com um punhado de faixas potentes e meladas de blues, como a profana Howlin" For You e Sinister Kid. / ROBERTO NASCIMENTO

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