Mais do que de artistas, a imagem forte de época

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h09

Nos últimos anos, os documentários musicais vêm se constituindo numa tendência específica do cinema brasileiro. São vários, desde perfis de artistas (Caetano Veloso, Maria Bethânia e Tom Jobim) até obras que visam a traçar amplos painéis de época, como Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Tropicália, que estreia sexta-feira, segue mais a segunda tendência, embora estejam retratados artistas viscerais da MPB.

O tropicalismo não se restringiu à música e abarcou outras manifestações artísticas. Você encontra abaixo um punhado de filmes que o levaram para o cinema, mas foi na música que ele marcou. Marcelo Machado, o diretor de Tropicália, agradece a Renato Terra e Ricardo Calil, que lhe permitiram acompanhar o processo de montagem de Uma Noite em 67. O documentário sobre o lendário festival da Record foi o estopim do tropicalismo. Um ano e alguns meses depois, Caetano Veloso, numa entrevista à TV de Portugal, declarou o movimento encerrado.

Essa linha de tempo foi o condutor para o filme, que privilegia imagens e sons de arquivo, mesmo que Machado não se furte a entrevistar os personagens. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé. Gal lembra uma apresentação em que metade do público vaiava e a outra metade aplaudia. Caetano emociona-se ao (re)ver as imagens da época, ele que gritou certa vez com a plateia que reagia aos tropicalistas - "Vocês não estão entendendo nada."

O filme busca contextualizar. O tropicalismo surgiu como oposição estética e comportamental ao regime repressivo dos militares. É muito possível que, sem o quadro de época, não tivesse a mesma ressonância. É um belo trabalho e não foge a questões pertinentes - o flerte do tropicalismo com o pop levou à massificação artística e à vulgarização atual -, mas relativiza a polêmica, apenas referida, em prol da celebração.

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