Mais crua e mais simples

Em 2009, Madeleine Peyroux decidiu arriscar a mostrar seus dotes de compositora num álbum inteiramente autoral, depois de ter se firmado como intérprete cativante. Sequência significativa de Bare Bones, Standing on the Rooftop a expõe em arrojado amadurecimento como autora, em busca da simplicidade, mas também pelos novos caminhos de interpretação e pela sonoridade mais crua. Entre o folk, o blues e o jazz, Madeleine também reinventa três clássicos alheios de modo brilhante: Martha, My Dear (John Lennon/ Paul McCartney), com uma bela combinação de guitarra e banjo em arranjo delicado, I Threw It All Away (Bob Dylan), com guitarra rascante ao estilo de Neil Young, e o blues marcial Love in Vain (Robert Johnson), a mais pungente de todas, com violino e efeito espacial. A voz soa cada vez menos como imitação de Billie Holiday e ela diz que, nessa opção por divergir de quase tudo o que já fez nos álbuns anteriores, está interessada em "explorar sons mais duros, até mesmo mais feios". Mas é difícil algo ficar realmente feio em sua concepção. Don"t Pick a Fight With a Poet e Ophelia são dois temas em que ela mais contradiz essa aspereza. Outra boa surpresa do álbum é sua associação a Bill Wyman, ex-baixista dos Rolling Stones. Das várias canções que compuseram juntos em Londres, ela registrou duas: The Kind You Can"t Afford e Leaving Home Again. O CD brasileiro tem três faixas a mais que a versão americana. É Madeleine em seu melhor momento desde o álbum de estreia.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2011 | 00h00

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