Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Maíra Bühler

Antropóloga de formação, venceu o é tudo verdade com seu primeiro documentário, acaba[br]de estrear programa no Gnt e se prepara para dirigir uma ficção

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

Você é antropóloga de formação e documentarista de ação. Já no primeiro filme (Elevado 3.5, dirigido com João Sodré e Paulo Pastorelo), venceu o É Tudo Verdade. Sempre quis fazer documentários ou foi consequência?

Sempre quis direcionar a antropologia para o cinema. Fiz mestrado em antropologia visual. Mas quero é contar histórias. Documentário não é chato, é uma grande história contada por mim e pelos personagens. Por isso, sempre procurei construir minhas histórias a partir do que as pessoas me contam.

No Conversa de Salão (GNT, às quintas, 20h45), as mulheres te contam coisas que em geral só se conta para as amigas...

Esta é a beleza do programa, uma série documental sobre mulheres muito diferentes que, em salões de beleza de vários tipos e classes, falam de vários temas como amor, traição, família, beleza, e mostram que, no fundo, têm muito em comum.

Ao mesmo tempo, traz uma visão diferente da usual na TV.

Exato. É um programa difícil de classificar e com o qual o público não está acostumado. Não é um documentário clássico. Também não é um reality show. Não há competição. Ao mesmo tempo, não tem uma apresentadora, famosas nem dá dicas de beleza e relacionamento. Na verdade, é um programa sobre mulheres reais, sobre ser e se fazer mulher. E não sobre futilidade. E, além do mais, quem disse que o que se conversa no cabeleireiro é fútil? O salão é um grande espaço de convívio social.

Após essa experiência de personagens reais, o que a fez ter vontade de criar personagens?

O tipo de documentário que faço é muito "da palavra". Queria um pouco de silêncio. Queria controlar os personagens, construir uma cena. Mas Fios de Ovos (Telefilme que Maíra vai dirigir com Matias Mariani, vencedor do edital Projeto Telefilmes da TV Cultura) é, de certa forma, decorrência do Elevado. Tudo nasce do que vivenciamos.

Que história conta o filme?

A de um homem que faz fios de ovos e uma mulher que é embalsamadora de cadáveres. Eles se conhecem quando uma avenida nova é aberta na cidade. A relação tem a oposição do doce, do artesanal, da vida no interior e a dureza da cidade... Filmamos em agosto e deve estrear em dezembro. Estamos ansiosos!

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