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Mago das 4 cordas

Billy Sheehan fala sobre o novo álbum, 'Krush', e os feitos de sua carreira

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h17

Billy Sheehan odeia rótulos, comparações e, por mais contraditório que possa parecer, faz de tudo para não atrair os holofotes. Árdua tarefa para o músico que carrega na bagagem o peso de ser um dos melhores baixistas do mundo. O agora 'sessentão' - idade completada no dia 19 de março - é um veterano do rock. Aclamado pelos trabalhos ao lado de David Lee Roth (vocalista do Van Halen), Steve Vai e as bandas Mr. Big e Talas, Sheehan acaba de lançar Krush, sexto álbum de estúdio do Niacin, projeto paralelo que tem com o baterista Dennis Chambers e o tecladista John Novello. "Não me considero o melhor. Ainda tenho muito a aprender. Este projeto mostrou isso. Todos os dias eu descubro alguma coisa nova. Mais do que técnica, é preciso tocar com a alma", diz em entrevista ao Estado.

O baixista do Mr. Big nasceu em Buffalo, Nova York, e não teve nenhuma formação musical. "Ninguém na minha família era músico ou tocava algum instrumento. Meu pai era um contador de histórias. Ele recitava poemas. Minha mãe adorava Sinatra. Aptidão zero para o rock 'n' roll", recorda ele.

Apelidado por muitos de ''o Eddie Van Halen do baixo'', Sheehan é incisivo quando o assunto envolve comparações ou perguntas mais técnicas sobre sua habilidade. "Amo o Eddie (Van Halen), mas isso não tem fundamento. Muita gente não acredita, mas eu não sei ler tablatura. Nunca estudei. Eu apenas amava a música e me interessei pelo som do baixo. Na esquina da minha casa havia um amigo que tocava e tinha uma banda. Ele foi uma grande influência. Eu queria ser como ele. Foi mais simples do que vocês imaginam."

A primeira banda de Billy Sheehan, o Talas, ganhou notoriedade na década de 1980. O grupo abriu algumas apresentações do Van Halen nos Estados Unidos durante uma turnê. Billy Sheehan despertou a atenção de Roth. Com a saída dele do Van Halen, em 1985, Sheehan foi convidado para participar de um novo projeto com Steve Vai e o baterista Gregg Bissonette. O quarteto foi responsável por um dos discos mais aclamados do hard rock: Eat'Em and Smile (1986).

O trabalho de estreia do grupo é tecnicamente impecável. Eat'Em and Smile apresenta momentos épicos, como Yankee Rose, faixa de abertura do álbum, que, de cara, mostra uma "conversa" entre David Lee Roth e a guitarra distorcida de Steve Vai. Em Elephant Gun, o dueto entre a guitarra de Vai e o baixo de Sheehan beira a perfeição. "Este disco é fundamental, mas não posso cravar que é o mais importante da minha carreira. Estou em atividade e continuo lançando coisas. Foi um período marcante ao lado de Roth, Vai e Gregg."

Tão impressionante quanto a rápida troca intercalada de Billy no baixo é a drástica mudança de humor quando o assunto é música nova. Krush, disco mais recente do Niacin, banda instrumental de jazz fusion que ele mantém desde 1995, acaba de chegar às lojas. "Este novo CD é uma das coisas mais incríveis que já produzimos juntos. É ótimo trabalhar com Dennis e John. É minha fuga da realidade. O álbum mescla rock, jazz e funk sem que a nova combinação fique limitada às características de um estilo."

Além de Krush, Sheehan também terminou as gravações de um novo álbum com Mike Portnoy (ex-Dream Theater) e Richie Kotzen (ex-Poison). "Não quero parecer pretensioso, mas este trabalho também está ótimo. Os vocais de Richie são espetaculares. Nunca vi algo assim. Mike também acertou a mão na bateria", revela. O novo trabalho do power-trio, que incluía originalmente John Sykes (ex-Whitesnake e Thin Lizzy) e não Richie Kotzen, ainda não possui nome e data de lançamento.

Retorno do Mr. Big. Após um hiato de quase 7 anos, o Mr. Big, banda formada por Sheehan em 1989, anunciou em 2009 que voltaria à ativa com a formação original: Eric Martin nos vocais; Paul Gilbert na guitarra; Pat Torpey na bateria e, claro, Billy Sheehan no baixo. O quarteto também fez uma turnê pelo Japão e em 2010 lançou o disco What If...

"A volta do Mr. Big foi fantástica. Na ocasião, disse que retornar à banda era como reatar com uma antiga namorada. E é verdade! As pessoas dizem muita besteira. Nós quatro tínhamos carreiras bastante consolidadas. Voltamos pela música."

O Mr. Big é responsável por algumas das baladas mais chicletes do início dos anos 1990. To Be With You e Wild World foram exaustivamente tocadas nas rádios do País. A banda estourou nos Estados Unidos e principalmente no Japão. Em 1994, o grupo fez uma apresentação memorável para mais de 100 mil pessoas em Santos. Billy Sheehan considera o show um dos melhores de sua história. "A praia estava cheia. Fiquei mais apaixonado pelo Brasil."

Com mais de 40 anos de carreira, Sheehan se diz privilegiado por tudo que alcançou, mas sente uma aura especial toda vez que sobe ao palco. "Uma banda de verdade precisa tocar ao vivo. Necessita ter contato com o público. Você só melhora quando faz isso. Foi o que os Beatles fizeram. Foi o que o Van Halen fez. Foi o que o AC/DC fez. A música triplica seu valor quando é compartilhada. Ninguém que toca sozinho no quarto e depois posta o vídeo na internet evolui musicalmente. Interação com o público é fundamental. Isso me motiva."

Cientologia. Billy Sheehan nunca fez questão de esconder seu envolvimento com a cientologia. Fundada pelo escritor de ficção científica Ron Hubbard, a religião envolve elementos da psicologia, hinduísmo, budismo e cristianismo.

A cientologia ganhou mais notoriedade com o fim do casamento de Tom Cruise e Katie Holmes. Segundo a imprensa americana, o fanatismo de Cruise pela igreja teria sido o principal motivo para o pedido de divórcio de Katie. Priscilla Presley, John Travolta e Juliette Lewis também são adeptos da religião.

"Tudo o que você ouviu é verdade. A cientologia me ajudou no aspecto pessoal e profissional. Aprendi a encarar as coisas de outra forma. Podemos falar sobre música agora?"

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