Magnus Lindberg faz quatro concertos com a Osesp

Depois de ser o compositor em residência da Filarmônica de Nova York entre 2009 e 2012, o finlandês Magnus Lindberg, de 54 anos, faz o que a Osesp chama de "residência" de quatro concertos, entre quinta e domingo. Melhor seria qualificá-la de microrresidência mesmo. Nesta quarta-feira encontra-se com o público para um bate-papo; Marin Alsop rege a Osesp em duas de suas obras mais importantes entre quinta e sábado ("Concerto para Clarineta" e "Parada"); e na tarde de domingo ele comanda a Orquestra de Câmara da Osesp num repertório retrospectivo de sua trajetória, incluindo as principais influências que sofreu como compositor.

AE, Agência Estado

28 de novembro de 2012 | 10h45

Em todo caso, esta é uma grande oportunidade de conhecer melhor a chamada estética finlandesa, na verdade um trio de compositores e intérpretes afinados que conquistaram alto grau de exposição na vida musical internacional. Os três amigos incluem a também ótima compositora Kaija Saariaho, que completou 60 anos em outubro passado; e o maestro-compositor Esa-Pekka Salonen, 54 anos, mesma idade de Lindberg e ex-titular da Filarmônica de Los Angeles, que deu o lugar a Gustavo Dudamel para poder se dedicar à composição dois anos atrás.

Abrindo os Ouvidos - Lindberg estudou com Rautavaara ainda em Helsinque e passou pelos célebres cursos de verão de Darmstadt, onde teve aulas com Brian Ferneyhough e Helmut Lachenmann; na Itália, conheceu Franco Donatini; e em Paris, a partir de 1981, esteve sob duplos tutores: Vinko Globokar e Gérard Grisey. Ainda nos anos 70, fundou com Saariaho e Salonen a associação Abrir os Ouvidos e, em 1980, o grupo Toimii. Cinco anos depois, passou pelo Ircam, onde, segundo biografia oficial do célebre instituto francês, "sua música abriu-se a diversas influências que assimila e integra de maneira muito pessoal". O texto do Ircam alerta que o prodígio finlandês "manteve-se distante da estética pós-moderna". Mal se poderia prever que na virada do milênio, em 2001, o finlandês tivesse um caso de amor com a melodia (como se poderá constatar no concerto para clarineta). Diferenciado, é verdade, mas caso de amor mesmo.

Seduzido com a pregação espectralista de Grisey, passou a buscar a construção harmônica da música baseada na análise física do som, na expressão de Risto Nieminen, em artigo no livreto sobre a microrresidência de Lindberg. É desta época sua frase mais repetida por todos: "Só o extremo é interessante".

O repertório dos concertos paulistas é abrangente, cobrindo cerca de trinta anos, desde os inícios radicais até a produção mais recente. O Lindberg radical está presente em "Corrente", de 1991. A obra mais antiga, "...de Tartufe", de dez anos antes, soa pós-moderna pelas citações de músicas de Rameau e Lully. Explica-se: ela nasceu a partir da trilha sonora escrita para uma peça de teatro do russo Bulgakov sobre Molière. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

MAGNUS LINDBERG

Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16). Tel. (011) 3223-396629. 5ª e 6ª, 21 h; sáb., 16h30. R$ 44/ R$ 149. Quarta, 19h30 (palestra, grátis)

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