Danilo Galvão
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Magiluth ataca outra vez

Grupo pernambucano com 15 anos de estrada, volta a São Paulo com nova montagem, 'É Apenas o Fim do Mundo', que estreia no dia 11 de abril

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2019 | 02h00

Os pernambucanos do Magiluth, grupo com 15 anos de estrada, estão de volta a São Paulo e trazem nova montagem na mala e duas outras que já passaram pela cidade. É Apenas o Fim do Mundo estreia no dia 11 de abril no Sesc Avenida Paulista, texto de Jean-Luc Lagarce que leva ao palco a história de uma família que se reúne com a volta do filho dramaturgo, que anuncia estar à beira da morte. Já foi filme na mão do cineasta Xavier Dolan há três anos. No elenco estão Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral e Pedro Wagner, com direção de Giovana Soar e Luiz Fernando Marques.

CINCO PRA CONTA  

O Magiluth traz uma bagagem maior para esta temporada. Além de É Apenas o Fim do Mundo, a trupe pernambucana chega ainda com as peças Dinamarca e Aquilo Que Meu Olhar Guardou para Você, duas oficinas – Construindo a Cena e Jogo Total – e uma conversa com o público sobre o teatro no Nordeste nos últimos 15 anos. Todas as atividades serão realizadas entre março e abril no mesmo Sesc Avenida Paulista, onde há mais informações sobre os eventos.

UM BRECHT NEGRO? 

Sim, a pergunta sobre a possibilidade de o dramaturgo e diretor alemão Bertolt Brecht ser negro surgiu em um dos ensaios do grupo Legítima Defesa, quando iniciavam os trabalhos de montagem durante as discussões sobre o texto Julgamento de Lúculo. “Discutimos não somente a questão da cor, mas também a de gênero, de classe social e muitos outros olhares sobre Brecht”, conta o diretor Eugenio Lima. “Chegamos a mudar os sujeitos do poema Julgamento de Lúculo para entender o que tínhamos nas mãos.” O resultado das conversas passou pelas mãos da dramaturga Dione Carlos, que fez a dramaturgia de Black Brecht, peça que estreia em 18 de abril e fica até 5 de maio no Sesc Pompeia. Há mais questões do que se possa supor na montagem, inclusive no sentido de fazer um aprofundamento da linguagem do grupo Legítima Defesa. 

  

BABEL AFRICANA  

Uma curiosidade. Além de ser falada em português, Black Brecht traz ainda outros quatro idiomas para a montagem, todos africanos: quimbundo, umbundo, chope e chaganga. A peça terá a cada sessão um ator convidado além dos 12 artistas do elenco, troca de papéis entre atrizes e atores. Também o diretor Eugenio Lima estará em cena em um papel em que atua na vida real, como um DJ, e ali mesmo fará a direção do espetáculo. 

 

LONA URBANA 

A Cia Mungunzá fará em todos os sábados, 16 horas, a partir de 16 de março até 1.º de junho, atividades circenses gratuitas com vários grupos como Trupe Lona Preta, Trupe Dunavô, Cia Caravana Tapioca, Las Cabaças, Grupo Trupiscada e Caffi Otta. A Mungunzá é uma das responsáveis por mudar a cara do centro de São Paulo, na região da Luz. Instalou o seu espaço artístico em uma praça abandonada do bairro ao criar, em 2017, o Teatro de Contêiner, formado por 11 contêineres marítimos, um dos espaços mais inovadores da cidade.

3 perguntas para Gui Calzavara

Ator, anjo de  ‘Roda Viva’ do Teatro Oficina

1. Como gostaria de morrer no palco?

Com um século de vida, fazendo algo que ainda não tivesse feito na vida.

Não que fosse isso que me levasse à morte.  

2. Qual é a frase (ou trecho) de peça mais arrebatadora?

“Cada um tem possibilidades demais”, Na Selva das Cidades, de Brecht.

3. Se não fosse ator, que profissão escolheria?

Músico multi-instrumentista e provador de chocolates!

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