Magic Numbers é estrela do Festival Indie Rock

Grupo brilha no evento que traz ainda o Rakes e os brasileiros Hurtmold, Moptop e Nação Zumbi

Jotabê Medeiros, do Estadão,

25 de julho de 2007 | 19h04

Indie é uma contração de independent, ou independente, em inglês. Buscava, na origem, designar um tipo de rock produzido às próprias custas, geralmente tocado para platéias pequenas e em locais de estrutura modesta e ingressos baratos. Mas os tempos mudam: o Festival Indie Rock, que começa nesta quinta, 26, no Via Funchal, vai ocupar uma casa de shows gigantesca do bairro de classe média alta de Vila Olímpia, com capacidade para 6 mil pessoas, e com ingressos entre R$ 100 e R$ 140. As bandas principais também estão longe daquele perfil obscuro dos antigos indies. O grupo britânico Magic Numbers, por exemplo, vende milhares de discos e já ganhou prêmios prestigiosos da indústria, como o Mercury, o Brit (além de ter sido eleito a melhor banda nova pela revista Mojo). O grupo The Rakes, também britânico, embora novato, já é igualmente globalizado e abriu shows para o Bloc Party durante sua turnê francesa, além de tocar no Glastonbury Festival, na Inglaterra, o maior do gênero. Pólo de inovação O Festival Indie Rock teve início no ano passado com o grupo escocês Franz Ferdinand, no Circo Voador carioca. Artisticamente, vai se consolidando como pólo de inovação, já que Magic Numbers é uma das bandas mais festivas e bacanas da nova safra britânica, riponga, sem estrelismos. "Nós tentamos achar algum tipo de positividade com nossas músicas. Algo que coloque a pessoa que está ouvindo para cima", disse o líder do Magic Numbers, Romeo Stodart. Ele disse que concorda que suas canções evocam os tempos de um certo descompromisso ideológico e de grande apuro melódico - quando dominavam a música gente como Simon & Garfunkel, Beach Boys, Mamas & Papas, Lovin’ Spoonful. "Nossa música relembra aquele tempo, mas nós não buscamos copiar nada. Evocamos aqueles tempos porque era uma música que nos parece mais pura, honesta, e ao mesmo tempo experimental, ousada. É por isso que é um tempo que sempre volta." Stodart e sua irmã, Michele, nasceram em Trinidad & Tobago, ali no Caribe venezuelano, e tiveram de migrar para Londres após um golpe militar no seu país. Romeo tinha 11 anos, conta. No bairro onde foram morar, conheceram outros dois irmãos Angela e Sean Gannon, com quem formaram o grupo.  Mesmo sonho Uma de suas fixações é de fato a excelência melódica e harmônica dos Beach Boys. Ele até compôs uma canção, Carl’s Song, inspirado por um sonho que teve com Carl Wilson, um dos integrantes daquela banda. "Eu sonhei com ele durante três dias, era sempre o mesmo sonho. Eu estava em algum tipo de festa onde também estavam Leonard Cohen, Tom Waits e todos os Beach Boys, gente que eu gosto muito. E Carl veio e cantou para mim. No dia seguinte, quando peguei a guitarra para trabalhar, os acordes vieram de um jeito tão espontâneo que fiquei até assustado com aquilo." Já The Rakes, com sua levada que soa aqui Libertines, ali Arctic Monkeys e acolá Strokes, é um grupo de rock no sentido britânico da palavra - boas guitarras, bom vocalista, boas melodias e canções com títulos às vezes excêntricos, como O Mundo Estava uma Bagunça mas Seu Cabelo Estava Perfeito ou Quando Tom Cruise Chora. Também fazem canções com certa tonalidade política, como Strasbourg. O vocalista dos Rakes, Alan Donohue, apesar de vegetariano e militante do ambientalismo, é escrachado e divertido. Tem uma entrevista hilariante dele no NME, sobre os bastidores de Glastonbury, com considerações sobre um possível casamento da brasileira Lovefoxxx, do CSS, e Simon, dos Klaxons. "Deveriam casar-se. Seria um belo conto de fadas tornado realidade", ironizou.The Rakes têm dois discos. O primeiro, Capture/Release (de 2006, claramente um tributo ao Clash), foi largamente elogiado pela revista Rolling Stone. "Quatro garotos art-punk de Londres com a fusão perfeita entre David Bowie e Buzzcocks. Por que todas as bandas não podem trazer essa diversão?" Agora, estão em turnê divulgando Ten New Messages, lançado recentemente. O festival começa nesta quinta-feira, 26, em São Paulo, com Hurtmold, Moptop e Magic Numbers. Sexta-feira, 27, Móveis Coloniais de Acaju, Nação Zumbi e The Rakes.  Os brasucas Moptop - Discípulos de primeira hora dos americanos da banda Strokes, os cariocas do Moptop começaram sua escalada rumo ao sucesso após abrirem shows do Oasis no estacionamento do Credicard Hall. Boa banda. Hurtmold - Com quatro CDs lançados desde 2000, o grupo paulistano faz rock instrumental com eletrônica. Nação Zumbi - A banda que deflagrou no mundo todo o mangue beat é a mais original do País nas últimas décadas. E continua sendo. Está gravando o álbum sucessor de Futura. Móveis Coloniais de Acaju - Superbanda de Brasília, com dez integrantes, que faz interessante fusão de ritmos, com rock, samba, ska, funk, iê-iê-iê.   Festival Indie Rock. Via Funchal (6 mil pessoas). Rua Funchal, Olímpia, 11-3188-4148. Quinta, 26, e sexta, 27, 21h30 (abertura da casa, 19h30). R$ 100 a R$ 140

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