Magia pop de Mendes

Aos 73 anos, o músico, radicado há meio século nos Estados Unidos, lança álbum com will.i.am, John Legend, Janelle Monáe e Carlinhos Brown

LUCAS NOBILE , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2014 | 02h07

Lançado mundialmente no início deste mês, Magic, o novo disco de inéditas de Sergio Mendes, chega às lojas em três formatos (CD, digital e vinil), com uma resposta do músico na ponta da língua: "Minha ideia é não repetir, é ter sempre um frescor. Por isso, este disco é menos para os ouvintes da minha geração e mais para os filhos e netos deles".

No começo dos anos 1960, em busca desse "frescor musical", Sergio Mendes, hoje com 73 anos, pegava a barca que saía de Niterói, sua cidade natal, para ir três vezes por semana ao Rio de Janeiro, mais precisamente na Rádio Nacional, local onde se produzia o que havia de mais criativo em termos de música brasileira na época.

Logo no início da década, ele fez sua estreia em disco com Dance Moderno (1961). Pouco depois, conseguiu alcançar o tal "frescor" com o até hoje cultuado Você Ainda Não Ouviu Nada (1963), que trazia arranjos do maestro Tom Jobim e Moacir Santos para temas da minimalista bossa nova "crescerem" nas mãos de uma big band.

Mais de 50 anos depois do lançamento daquele álbum, quem passou tempos alheio à carreira de Sergio Mendes vai se surpreender com o resultado de seu novo trabalho. Mas quem segue frequentemente os passos do pianista e arranjador brasileiro e acompanhou seus discos com Brazil 66, Brazil 77, Brazil 88 e, principalmente, os mais recentes, como Timeless - que chegou ao topo das paradas de sucesso no mundo inteiro com nova versão de Mas Que Nada, em 2006), Encanto (2008), Bom Tempo (2010) e Celebration: A Musical Journey (2011) - enxergará coerência neste caminho trilhado por Mendes em direção ao pop norte-americano.

Morando há meio século nos Estados Unidos, o músico brasileiro potencializa essa aproximação da música jovem daquele país em Magic, com uma série de convidados que, somados, representam milhões de discos vendidos. Desta vez, isso se dá novamente pelo encontro com will.i.am (do Black Eyed Peas), que produz e participa da faixa My My My Love. A música, que traz versos como "Lindinha, my love/I need your bundinha... Danada, Safada/I love you, girl", foi inspirada no funk brasileiro e conta ainda com a revelação Cody Wise, classificado por Sergio Mendes como "uma mistura de um novo Michael Jackson com John Legend".

Trilha de filme. Assim como will.i.am, Legend, que já havia trabalhado com Mendes, volta a participar de um disco do brasileiro, em Don't Say Goodbye. "Mostrei a música para o John, nos encontramos no estúdio e ele disse que precisaria de uma hora e meia para colocar a letra. Foi para um canto no estúdio, voltou com tudo pronto e colocou aquele vocal lindo", comenta Mendes.

Ainda no campo do pop moderno americano, Magic tem participação de Janelle Monáe na balada Visions of You. Mendes havia conhecido a cantora quando fez a trilha da animação Rio 2, de Carlos Saldanha. "Gostei muito dela, que tem personalidade e é muito inteligente. Compus e ela fez a letra. Janelle disse que estava louca para cantar uma bossa nova moderna", diz Mendes.

A trilha do filme, aliás, intensificou a aproximação do pianista com Carlinhos Brown. Tanto que o músico baiano aparece em duas faixas do novo álbum: Simbora (Let's Go) e One Nation. "Tínhamos trabalhado em Rio 2 e pensamos em fazer um hino para a Copa, que foi One Nation, para falar da alegria do esporte", conta Sergio Mendes. "Carlinhos é mestre neste aspecto, no sabor brasileiro. A música acabou entrando para o álbum da Fifa."

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