Magali Biff atua em texto premiado

A diretora Maria Lúcia Pereira parece ter uma sensibilidade especialmente apurada para escolher bons textos de autores inéditos ou pouco encenados como Entrevista, de Fernando Moreira Salles, e A Moça Que Falou Assim, de Marta Góes. Agora é vez de levar ao palco Metrô, peça da dramaturga ainda inédita de Maria Cecília Carelli, premiada há cinco anos no 1.º Concurso Estadual de Dramaturgia do Teatro Popular do Sesi.Criado originalmente para ser apresentado na rua - no projeto Lonas Imaginárias -, o espetáculo tem apenas 35 minutos, uma linguagem ágil e muito humor. Interpretado pela talentosa atriz Magali Biff, Metrô estréia nessa quinta, na Sala Flávio Império, no Centro Cultural São Paulo, com ingressos a preços bastante camaradas: R$ 6,00 o ingresso normal e R$ 3,00 a meia entrada.No curto monólogo, Magali reveza-se em cinco personagens diferentes que vivem situações comuns ao cotidiano de qualquer cidadão que utilize o metrô de uma grande cidade. A atriz apresentou o espetáculo, em setembro, numa praça da cidade e o resultado foi ótimo. "Ela estava em pânico porque o espectador, na rua, quando não gosta fica dez minutos e vai embora", comenta a diretora. "Mas as pessoas puseram um sorriso no rosto e ficaram até o fim."Ao conceber o espetáculo para ser apresentado ao ar livre, sem trilha sonora, cenário ou iluminação, Maria Lúcia apoiou a encenação na chamada teatralidade, ou seja, na cumplicidade com o público e no uso inteligente e surpreendente de alguns poucos recursos cênicos. "Um cabo de vassoura é o metrô (representando aquela parte em que o usuário se segura), uma bolsa caracteriza a passageira, um determinado gesto identifica o condutor", explica a diretora.Numa das cenas, uma mulher que viaja em pé se desentende com um homem que, viajando sentado, oferece ajuda para segurar a bolsa da passageira. No diálogo, Magali reveza-se entre um e outro. Além da identificação direta com a situação, o público diverte-se com o trabalho da atriz obrigada a aumentar a velocidade do "revezamento" , à medida que a discussão esquenta entre os dois passageiros. "É um texto delicioso, capaz de despertar a empatia do público, que se identifica com as situações vividas pelos personagens."Metrô. Comédia. De Maria Cecília Carelli. Direção Maria Lúcia Pereira. Duração 30 minutos. De quinta a sábado, às 21h30; domingo, às 20h30. R$ 6,00. Centro Cultural São Paulo - Sala Flávio Império. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 17/12

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