Maestro Jamil Maluf é afastado do Municipal

Ele será substituído por Carlos Moreno à frente da Experimental de Repertório, grupo de jovens músicos do teatro

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h43

O maestro Jamil Maluf não é mais diretor da Orquestra Experimental de Repertório, grupo jovem ligado ao Teatro Municipal, que ele fundou em 1990 e do qual esteve à frente desde então. Em seu lugar, assume o maestro Carlos Moreno, ex-Sinfônica da USP e atualmente diretor da Sinfônica de Santo André. Maluf foi comunicado de seu desligamento no início da manhã de ontem pelo diretor da Fundação Osesp, José Luiz Herencia, e entrou com pedido de aposentadoria.

Segundo o diretor artístico John Neschling, a saída de Maluf não significa "demérito". "Trocas acontecem em qualquer teatro, é algo natural em um processo democrático, maestros vão e vem. Eu mesmo um dia serei trocado aqui no Municipal, como fui na Osesp há alguns anos. Isso não quer dizer que não reconhecemos como o trabalho desenvolvido pelo maestro foi extremamente importante e o modo como, em épocas em que a Sinfônica Municipal passou por momentos difíceis, ele e a Experimental foram responsáveis por manter o nível da programação do teatro", disse.

Para o maestro, a decisão teve como objetivo reforçar a integração no teatro. "Da maneira como está hoje, a Experimental é um organismo à parte da estrutura do teatro e o nosso trabalho tem sido justamente o de integração entre todos os grupos. De agora em diante, esperamos um trabalho conjunto com a orquestra, ressaltando a sua função pedagógica, aproximando-a da Escola de Música do município e ampliando a área de atuação, que passa a incluir, além do Municipal, teatros de bairro e os CEUs."

Ao Estado, Maluf se disse surpreso com a decisão. Contou que, na noite de quinta, havia reencaminhado, a pedido da direção da Fundação Teatro Municipal, um projeto de educação musical, chamado Corredor Sinfônico, que lhe foi encomendado pelo secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira. "E ontem cedo, veio a convocação para a reunião com Herencia, com que tive uma conversa tranquila. Ao saber que eles pretendiam me exonerar, sugeri então que aceitassem meu pedido de aposentadoria, ao qual tenho direito pelo tempo de trabalho que dediquei ao teatro."

A ópera prevista para a Experimental de Repertório na temporada deste ano - SatYagraha, de Phillip Glass - foi cancelada, mas o restante da programação, segundo o teatro, deve ser mantido. De acordo com Neschling e Moreno, a orquestra segue pertencendo à Fundação Teatro Municipal, mas deve ampliar seu campo de atuação, tocando em teatros de bairro, como o Paulo Eiró, e nos CEUs. "A história da orquestra com o maestro Jamil é digna de elogios", disse Moreno. "Encaro, agora, o desafio de levar esse projeto adiante, dentro de um novo contexto de trabalho."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.