Mães no fluxo do tempo, uma dor que fascina

Em Gramado, 2012, muita gente esperava que o prêmio de melhor atriz fosse distribuído entre as três protagonistas de 'O Que nos Move'

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2013 | 02h07

Christiane Jathay fez um filme que se chama A Falta Que nos Move. Caetano Gotardo lança agora O Que Se Move, sobre uma falta dilacerante - três mães lamentam a perda ou a morte dos filhos. Em Gramado, 2012, muita gente esperava que o prêmio de melhor atriz fosse distribuído entre as três protagonistas - Cida Moreira, Andrea Marques e Fernanda Vianna. O júri preferiu destacar a última. Não há o que reclamar - Fernanda, que faz outra mãe em Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein, está irretocável (em ambos). Atriz do grupo mineiro Galpão, apresenta um trabalho delicado, nuançado.

O espectador, ao entrar no cinema, pode-se indagar qual o significado do título. O que se move? É o tempo. Gotardo pertence a um coletivo de cinema. Não é só no teatro que eles proliferam no País. Em Fortaleza, há o Alumbramento, dos irmãos Pretti e dos primos Parente. No Recife, há uma geração de jovens que trocam experiências (e trabalham uns nos filmes dos outros).

Gotardo integra o coletivo Filmes do Caixote. Juliana Rojas, que pertence ao mesmo coletivo, é montadora de O Que Se Move. Marcos Dutra, que codirigiu com ela Trabalhar Cansa, é coautor das canções, que são decisivas no filme. São até responsáveis pelo estranhamento que O Que Se Move provoca. No fim da primeira história, o espectador pode até pensar que o filme está desandando. Pois o drama é pesado e, do nada, numa delegacia, a primeira mãe, começa a cantar. Por que canta essa mulher que está sofrendo?

É um dos mistérios da estética gotardiana. O filme baseia-se em histórias reais que ganharam espaço na mídia, no começo dos anos 2000. O diretor poderia tê-las contado de outra forma - sempre existe uma outra maneira na arte. Cada história é independente, mas o conjunto articula-se em torno ao tempo. Como se filma o tempo? Como se integra um espaço ao tempo para refletir sobre o homem - a mulher - no mundo?

Antes da dor da perda, há a presença dos corpos. O menino parece prisioneiro - estático - nas sombras do quarto, no começo. Não muito depois, numa estética do campo/contracampo, será tragado pela janela. Críticos já disseram que O Que Se Move é denso, difícil. Gotardo seria, ou é, corajoso. São palavras, apenas. O grande desafio do cinema é sempre dar a ver, numa estrutura audiovisual. Gotardo encontrou a melhor forma para contar suas histórias.

JJJJ ÓTIMO

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ÓTIMO

PRODUÇÃO SE BASEIA EM

HISTÓRIAS REAIS E SE DESTACA PELA ATUAÇÃO DAS ATRIZES

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